Este 5 de outubro, feriado em Portugal, é um dia decisivo para a candidatura do ex-primeiro-ministro António Guterres. O alto comissário para os Refugiados nas Nações Unidas quer ser o próximo secretário-geral da ONU, sucedendo a Ban Ki-Moon e tudo estava a correr bem até à semana passada, quando apareceu uma candidata de última hora: Kristalina Georgieva.

Nas cinco votações preparatórias, em que os votos dos 15 membros do Conselho de Segurança não eram discriminados –  Guterres venceu todas, tendo sido apontado como sucessor do sul-coreano Ban Ki-moon. Mas, hoje, é a vez dos membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido - votarem. E tudo poderá ficar decidido. 

A Rússia já anunciou que apoiará uma mulher da Europa de Leste – requisitos que só duas candidatas búlgaras preenchem, Irina Bokova e, precisamente, Kristalina Geogieva, que é vice-presidente da Comissão Europeia e pediu uma licença sem vencimento para se candidatar. "No comments" foi a reação de Guterres ao anúncio da Bulgária de que iria apresentar uma nova candidata. 

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Contas aos votos

Mesmo que o ex-primeiro-ministro português obtenha o apoio de nove países e nenhum veto dos membros permanentes, o órgão executivo das Nações Unidas pode decidir realizar mais votações.

Embora se trate de um processo com poucas regras – o que dá aos membros do Conselho de Segurança, sobretudo aos permanentes, muita margem para decidir os próximos passos -, à partida, se algum dos cinco vetar algum dos nomes, esse candidato acabará por abandonar a corrida ao cargo.

Se mantiver o mesmo resultado e um dos votos negativos pertencer a um dos cinco permanentes, o seu nome não pode ser sequer recomendado.

A entrada da búlgara Kristalina Georgieva na corrida, na semana passada, também pode levar a mais rondas de votações, necessárias para clarificar o posicionamento de todos os países.

Num ano em que a ONU tentou trazer transparência ao processo, realizando audiências públicas, entrevistas e debates com os 12 candidatos iniciais, a entrada tardia da vice-presidente da Comissão Europeia foi recebida com desconfiança por alguns países e entusiasmo por outros.

Como foi com Ban Ki-moon?

Há dez anos, quando Ban Ki-moon foi escolhido, a primeira votação deste tipo foi, também, a última.

Nesse dia, 2 de outubro de 2006, o agora líder da ONU recebeu 14 votos "encoraja" e apenas um "sem opinião", o que precipitou a desistência de todos os outros candidatos no dia seguinte.

Uma semana mais tarde, a 9 de outubro, o Conselho de Segurança aprovou por aclamação a resolução que recomendava o nome do sul-coreano.

Ban Ki-moon acredita que este é o momento certo para uma mulher liderar a ONU. E isso pode não facilitar nada a vida a Guterres.