O nome de Amal Alamuddin correu mundo há uma semana, quando se soube que era a noiva de George Clooney. Agora ela é notícia por outras razões. A advogada britânica representa o líbio Abdullah al Senussi, antigo chefe de espionagem de Muammar Khadaffi e acusado de tortura e crimes contra a humanidade.

Alamuddin, de 36 anos e nascida em Beirute, assumiu a defesa do antigo homem forte do regime líbio num caso contra o Tribunal Criminal Internacional (TCI).

O TCI acusou Senussi, bem como o filho de Khadaffi, Saif al-Islam, de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. De acordo com as regulamentações da ONU, devia ser o tribunal de Haia a julgar o caso, a menos que a Líbia provasse ter condições para o fazer. O TCI considerou que tinha, e é aqui que entra Alamuddin.

Ela contesta essa decisão do TCI, argumentando, entre outras coisas, que a prova mais evidente de que a Líbia não tem condições para fazer um julgamento justo é o facto de nunca lhe ter sido permitido ver ou falar com o seu cliente nos últimos meses.

O caso pode colocar em causa a reputação do TCI, criado precisamente para garantir que haveria uma instância internacional a fazer justiça em relação a regimes ou criminosos que ficavam impunes nos seus países.

Alamuddin é uma advogada conhecida como especializada em diretos humanos e foi conselheira de Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU. Defendeu Julian Assange, o homem por detrás da Wikileaks. Mas este não é o primeiro caso polémico que assume. Já representou por exemplo o rei do Bahrain, Hamad bin Isa al-Khalifa, acusado por defensores dos direitos humanos de tortura sistemática e repressão.

Quanto a Abdullah al Senussi, foi braço direito de Khadaffi durante 40 anos e é suspeito de ter ordenado torturas e assassinatos. Já foi condenado à revelia em Paris pelo bombardeamento de um avião francês em 1989 e a polícia escocesa, escreve o «Guardian», pretende questioná-lo sobre acusações de que foi o cérebro por trás do atentado de Lockerbie, a explosão de um avião no ar que em 1988 matou 270 pessoas. Senussi fugiu da Líbia em 2011, durante a Primavera Árabe, mas foi apanhado. O seu julgamento já começou e decorre na prisão de Al Hadba, no meio de condições que o «Guardian» descreve como caóticas.



Alamuddin não faz comentários às críticas por representar um homem com o passado de Senussi. O «Guardian» cita outro advogado da empresa britânica da noiva de Clooney, representante do filho de Khadaffi, a dar uma explicação geral sobre aquele que os advogados acreditam ser o seu papel. «A justiça precisa de advogados de defesa. O sistema só funciona se houver representação forte dos dois lados», diz esse advogado, John Jones.