Anais Bordier and Samantha Futerman são gémeas, mas nenhuma delas sabia que tinha uma irmã idêntica, até há dois anos atrás. As jovens foram separadas à nascença e o destino decidiu juntá-las 25 anos depois. O Facebook teve um papel importante.
 
Bordier, uma aspirante a designer de moda, cresceu em Paris e estava a estudar em Londres quando, num sábado, em dezembro de 2012, um amigo enviou-lhe uma fotografia tirada a um vídeo do YouTube em que aparecia Futerman, que é atriz.
 
«Pensei automaticamente: 'Oh, quem é que publicou um vídeo de mim no YouTube?’», contou a uma jornalista da CNN rindo-se. Bordier conta que quando chegou em casa, olhou novamente para a fotografia e percebeu que não era ela, mas sim uma rapariga que se parecia exatamente com ela.
 
Bordier procurou o nome da mulher na descrição do vídeo, mas não conseguiu encontrar nada, acabando por esquecer o assunto. Isso até o mesmo amigo, que enviou o ‘screen shot’, dizer-lhe que tinha visto a mesma rapariga num trailer, também no YouTube, cerca de um mês mais tarde.
 
A designer decidiu então investigar, conseguindo descobrir o nome de Samantha Futerman, reparou que tinham a mesma data de aniversário e que ambas tinham nascido na Coreia do Sul. A jovem ganhou coragem e decidiu entrar em contato com Futerman pelo Facebook, enviando-lhe um pedido de amizade e uma mensagem.


 
«Sarilhos com as gémeas»

As semelhanças entre a sua história e a do filme «Sarilhos com as gémeas» não passaram despercebidas a Bordier, que escreveu na mensagem a Futerman: «Não quero ser a Lindsay Lohan, mas...como perguntar… Queria saber onde é que nasceste?».
 
Futerman, que foi criada em New Jersey, não sabia o que fazer com o pedido de amizade e a mensagem de Bordier. «É muito estranho receber uma mensagem de nós mesmas no Facebook. É uma experiência muito estranha», revelou Futerman, que levou alguns dias a responder. «Pensei: 'Uau, isto realmente pode ser verdade’», acrescentou.
 
As gémeas contaram à jornalista que a primeira vez que falaram no Skype a conversa deveria durar 90 minutos, mas acabou por se estender por três horas.
 
«Nós tínhamos 25 anos na altura, que é quando começamos a pensar que está a correr tudo mal. Não há nada de bom e, em seguida, aprendemos que tudo é possível», disse Futerman.
 
Para Bordier, filha única, descobrir que tinha uma irmã foi incrível, mas perceber que tinha uma gémea era «ainda mais louco». «Tem-se uma ligação muito forte que não se pode realmente explicar, mas entendemo-nos uma à outra, mesmo sem falar», contou Bordier.
 


O reencontro

Um teste de DNA provou o que as jovens já suspeitavam, que elas eram gémeas, e por isso planearam encontrarem-se pessoalmente, pela primeira vez, em Londres.
 
Esse encontro é relatado no livro, «Separadas à nascença: Uma história de amor verdadeira de irmãs gémeas reunidas», e também faz parte de um documentário, que será lançado em 2015. O apoio que têm recebido com a história obteve a atenção nacional e motivou-as a tentar sensibilizar e fornecer recursos para as adoções internacionais.
 
«Inspirou-nos para se tornar algo maior e para compartilharmos a nossa história por uma razão», disse Futerman.
 
As gémeas juntaram-se a uma amiga de Futerman, Jenna Ushkowitz, uma atriz do elenco de «Glee», uma coreana-americana adotada, para criarem uma fundação para ajudar os adotados.
 
«É uma grande alegria para encontrar a sua família. Acho que quando se é adotado se está sempre à procura de alguém que se parece connosco», disse Bordier.
 
Ambas as mulheres dizem que os pais adotivos estão satisfeitos com a notícia, apesar de inicialmente se terem chateado, pois não sabiam que as raparigas tinham uma irmã gémea. Nos papéis de adoção, os seus nascimentos apareciam como um único.
 
As gémeas tentaram localizar a mãe biológica, mas revelam no livro que esta não se interessou em contactá-las.
 
«Se aprendemos alguma coisa nesta história, é que as coisas vão acontecer como deveriam. E se um dia ela quiser contactar-nos, então nós estaremos aqui e estamos prontas», disse Futerman.