A Agência de Segurança Norte-americana (NSA) em conjunto com a GCHQ (a agência «irmã» britânica) tinham agentes infiltrados em jogos de vídeo online, como o Wolrd of Warcraft ou o Second Life, pois acreditam que muitos terroristas têm encontros em mundos virtuais, revela o «Guardian».

Os documentos revelados por Edward Snowden mostram que redes como a Xbox Live, que tem mais de 48 milhões de utilizadores, foram espiadas pelas duas agências.

Jogos online, como o World of Warcraft ou o Second Life, permitem que o utilizador crie um personagem e interaja com outros utilizadores do jogo de forma anónima. A NSA e a GCHQ acreditam que muitas organizações fazem destes mundos, lugares para se encontrarem anonimamente e recrutar novos «soldados».

O número de agências norte-americanas envolvidas, e o número de agentes infiltrados, era tão significativo que teve de ser criada uma comissão para discutir operações, para que não interferissem uns com os outros.

É ainda desconhecido o número de pessoas espiadas, ou de que forma as agências acederam a dados dos utilizadores. Tal como nas questões de espionagem anteriores, é também incerto se dados de pessoas inocentes foram recolhidos sem o seu conhecimento.

Contactado pelo «Guardian», um porta-voz da empresa Blizzard Entertainment, criadora do Wolrd of Warcraft, afirmou que não tem qualquer conhecimento de uma operação da NSA dentro do jogo virtual.

«Não temos conhecimento de qualquer vigilância. Se existe, foi feita sem o nosso conhecimento ou permissão», disse.

A Microsoft e Phillip Rosedale, criador do Second Life, escusaram-se a comentar o caso, assim como a própria NSA.

Já do lado da GCHQ, um porta-voz disse que não confirmava ou negava as acusações, mas garantiu que «todo o trabalho da GCHQ é feito de acordo com políticas legais específicas que garantem a autorização de atividades».

As operações começaram, alegadamente, no ano de 2007, e segundo os documentos revelados por Snowden, em 2008 já havia dados que revelavam alguma veracidade nas suspeitas das agências.

«Terroristas da Al-Qaeda foram associados à Xbox Live, Second Life, World of Warcraft e outros GVE [Sigla em inglês para jogos de ambientes virtuais]. Outros alvos incluem hackers chineses, um cientista nuclear iraniano e membros do Hezbollah e do Hamas», lê-se num dos documentos.

Em Maio de 2008, a pedido da GCHQ, a NSA já tinha começado a extrair informações do Wolrd of Warcraft, como contas, personagens e sociedades, e a tentar ligá-las a organizações terroristas. Um documento posterior revelou que entre os subscritores mais ativos do jogo havia «engenheiros de telecomunicações, motoristas de embaixadas, cientistas, militares e outras agências de inteligência».

A agência britânica não se ficou pelo World of Warcraft, e em setembro do mesmo ano, um outro documento revela que, «discussões entre vários utilizadores da Xbox Live foram intercetadas com sucesso».

No final de 2008, os esforços produziram pelo menos um elemento importante, foram encontrados, no Second Life, utilizadores que geriam um website de roubo de cartões de crédito fechado anteriormente, e que agora operava através do jogo. A operação baseou-se em conversas com um jogador que se dispôs a fornecer informações sobre as recentes atividades do grupo.