Um cessar-fogo de 12 horas entre Israel e o Hamas entrou este sábado em vigor às 05:00 GMT (06:00 em Lisboa), no 19.º dia do conflito que já causou a morte de centenas de pessoas.

Israel e o movimento islamita Hamas disseram que iriam cumprir tréguas temporárias de 12 horas na Faixa de Gaza, depois de uma proposta do secretário de Estado norte-americano John Kerry para um cessar-fogo mais prolongado ter sido rejeitada na sexta-feira.

Poucas horas antes do início da trégua, um ataque aéreo israelita no sul de Gaza matou pelo menos 20 pessoas, incluindo 11 crianças, a maioria de uma única família, disseram fontes médicas.

O ataque ocorreu na localidade de Khan Yunis e atingiu a casa de uma família, mantando pelo menos 14 dos seus membros, disse o porta-voz dos serviços de emergência Ashraf al-Qudra.

Dois membros de outra família foram também mortos juntamente com outras pessoas, duas das quais permanecem por identificar.

Entre os mortos, estão 11 crianças, incluindo uma bebé de um ano e um menino de três anos, disse Qudra.

Mais 900 palestinianos foram mortos e cerca de 6 mil ficaram feridos, na sua grande maioria civis, na Faixa de Gaza desde o início da ofensiva israelita a 08 de julho, revelaram hoje os serviços de emergência locais. Durante o mesmo período, 37 soldados israelitas morreram nos combates em Gaza. Dois civis israelitas e um trabalhador agrícola tailandês foram mortos por disparos palestinianos.

O balanço de mortos poderá ainda aumentar durante o dia de hoje à medida que vão sendo retirados os corpos dos escombros em várias zonas fortemente afetadas pelos ataques israelitas. Hoje de manhã foram já resgatados 35 corpos em várias localidades da Faixa de Gaza. No total 926 palestinianos morreram, segundo o porta-voz.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estabeleceu em pelo menos 192 o número de crianças mortas nos 19 dias do conflito e a agência para ajuda aos refugiados da Palestina deu conta de mais de 160 mil palestinianos refugiados nos seus edifícios.

Hoje continuam em Paris, os esforços para alcançar um cessar-fogo mais duradouro, numa reunião em que participam os ministros dos Negócios Estrangeiros francês, britânico, alemão, italiano, do Qatar, turco e da União Europeia.

O secretário de estado norte-americano, John Kerry, já chegou a Paris. A embaixada norte-americana em Paris divulgou hoje na sua conta oficial na rede social Twitter uma fotografia de Kerry à saída do avião, mas não avançou mais detalhes sobre a agenda do dia.

Entretanto, a China condenou o ataque israelita realizado na quinta-feira contra uma escola de uma agência da ONU, no norte da Faixa de Gaza, e instou ambas as partes a acordarem um cessar-fogo imediato e incondicional.

O ataque contra a escola da Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em Inglês) localizada em em Beit Hanun causou 15 mortos e 200 feridos.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hong Lei, instou também as duas parte a ouvirem os apelos de paz da comunidade internacional e do Conselho de Segurança, e a evitarem qualquer ação que piore a situação e coloque em perigo os civis.

«A China está profundamente preocupada com a escalada do conflito entre a Palestina e Israel», disse Hong em comunicado, citado pela agência oficial Xinhua.