Domingo Neira García, professor da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Santiago, dava a aula de Didática e Profissão Docente, no passado dia 19, à primeira hora da manha quando, ao comentar a atualidade, foi questionado por uma aluna sobre um assunto relacionado com a internet e a pedofilia.

O que era suposto ser uma resposta simples deixou os alunos atónitos. Em declarações ao «El País», o professor classificou a explicação de «racional e quase científica». No entanto, Neira García afirmou que a homossexualidade é uma «alteração congénita ou vício».

«Se há uma certificação de que é congénito, não há mais nada a discutir. Mas, se não há essa certificação, também pode ser por vício. Ou não há desvios por vícios?», insistiu o professor universitário ao telefone.

Vários alunos que ouviram a resposta fizeram uma petição para pedir à Reitoria que suspenda a atividade docente de Neira «devido a comportamentos de natureza claramente misógina, homófoba e racista».

O professor, que se define como «um pensador», não teve problema em repetir as palavras que disse em plena sala de aula, entre elas «desvios» dos «paneleiros» e dos «pedófilos».

«E também disse que à mulher-mulher normal, quer dizer, que gostam dos homens-homens, geralmente não gostam das mulheres noutro sentido, gostam dos homens. Isso não quer dizer que não haja algum excesso, algum vício. Mas é igual que o homem-homem não se preocupa em absoluto, como é o meu caso, da vida destes desvios, dos paneleiros nem de pedófilos, percebe?», afirmou.

Os alunos afirmam que os «ataques homófobos» de Neira não são um incidente isolado e que já foram alvo dos seus ataques «depreciativos» nas aulas as mulheres, os ciganos e os imigrantes.

A Esquerda Unida, que afirma que os responsáveis universitários desvalorizaram as queixas anteriores, exige a expulsão do docente porque «não está capacitado nem deve continuar a educar os professores de amanhã».

Já o docente desdenha a denúncia como fruto da «falta de razão e conhecimentos fundamentais» e afirma que os alunos podem contestar nas suas aulas.

«Eu defendo a razão e a argumentação. Se há alguém que argumente mais, estou disposto a ir à televisão ou aonde me disserem. Para ver que informação tem essa gente para abrir a boca», reiterou.