Angola prevê gastar mais com salários aos mais de 100.000 militares em 2018 do que o funcionamento de hospitais, centros de saúde e maternidades, realidade que o presidente angolano admite como incontornável.

Globalmente, os gastos do Estado angolano com os militares aumentam este ano quase 2%, o equivalente a mais 10.000 milhões de kwanzas (44,7 milhões de euros) face a 2017, segundo a proposta orçamental em debate no parlamento.

Na proposta de lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018, aprovada na quinta-feira, na Assembleia Nacional, na generalidade e que agora desce para as discussões na especialidade até à votação final em fevereiro, o Governo inscreveu uma verba de 545,5 mil milhões de kwanzas (2.440 milhões de euros) para gastos com Defesa.

Reflete um peso de 5,63% de todas as despesas do Estado estimadas no OGE para este ano e que tem sido contestado pela oposição, que defende um reforço de verbas para a Educação e Saúde em detrimento da Defesa.

Na quinta-feira, ao discursar perante os deputados, enquanto apresentava a proposta de lei do OGE, o Presidente angolano, João Lourenço, admitiu que "algumas vozes se levantam" referindo que "consideram um excesso da despesa com Defesa e Segurança".

Na verdade, a despesa nestes setores é maioritariamente para pagamento de salários e pensões a pessoal no ativo e na condição de reforma", explicou o chefe de Estado.

Especificamente, só em vencimentos e remunerações permanentes do pessoal militar, a proposta de OGE para 2018 prevê uma dotação de 297,5 mil milhões de kwanzas (1.330 milhões de euros).

Trata-se de um valor acima da despesa orçamentada para o mesmo período somando os serviços hospitalares gerais, no valor de 105 mil milhões de kwanzas (470 milhões de euros), e com os serviços hospitalares especializados, com 36,2 mil milhões de kwanzas (162 milhões de euros), e com os centros médicos e maternidades, com 42,7 mil milhões de kwanzas (191 milhões de euros).

Com um efetivo, nos três ramos das Forças Armadas Angolanas, superior a 100.000 operacionais, João Lourenço alertou quem contesta o peso da despesa com os militares: "Dispensar este pessoal da folha de pagamentos destes setores, implica que o setor produtivo privado da economia tenha capacidade de absorvê-lo, sob pena de se agravar ainda mais a já preocupante situação do desemprego".