Apenas 100 empresas são responsáveis por mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, nas últimas três décadas, diz um novo estudo, escreve o jornal britânico The Independent.

O relatório do estudo “The Carbon Majors”, feito pela organização Carbon Disclosure Project (CDP), refere que apenas 25 dessas empresas são fonte de mais de metade das emissões de gases de efeito estufa, desde 1988, o ano em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas foi estabelecido.

No geral, a empresa saudita Saudi Aramco, a indústria chinesa de carvão e a empresa russa Gazprom foram as três principais emissoras de gases de efeito de estufa.

A indústria de carvão chinesa emitiu cerca de 14,3% dos gases de efeito estufa, a nível mundial, desde 1988, o que a torna a maior contribuinte para as mudanças climáticas.

Em segundo lugar, aparece a Saudi Aramco, que emitiu cerca de 4,5% dos gases, seguida da Gazprom, com 3,9%.

De acordo com a Carbon Disclosure Project, em 1988, as empresas sabiam, ou deveriam saber, dos efeitos dos seus produtos para o meio-ambiente.

“No entanto, a maioria das empresas expandiu as atividades de extração, significativamente, desde então. Já as fontes de energia renováveis têm tido investimentos pequenos”, refere a organização CDP.

Se os combustíveis fósseis continuarem a ser extraídos ao mesmo ritmo que foram entre 1988 e 2017, as temperaturas médias globais vão aumentar quatro graus, até ao final do ano, segundo o relatório.

Os cientistas já advertiram, repetidamente, que um aumento acima dos dois graus, pode levar a mudanças catastróficas e irreversíveis no clima e nos ecossistemas, que podem resultar em extinção de espécies em larga escala, inundações e escassez de alimentos.

A organização, financiada por pessoas individuais, governos e empresas, fez a lista dos responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa, de acordo com dados que estão disponíveis publicamente.

O nosso objetivo não é nomear e envergonhar empresas. O nosso objetivo é fornecer transparência e chamar a atenção para o facto de que apenas 100 empresas tenham desempenhado um papel crucial para este problema. É óbvio que estas empresas têm uma parcela de responsabilidade em arranjar uma solução”, afirmou Pedro Faria, diretor do “Carbon Majors Database”, que recolheu a informação para o relatório.