A polícia federal de Caxias do Sul, no Brasil, já recebeu cerca 178 pedidos de asilo político de cidadãos ganeses que viajaram até ao país com visto de turista, para acompanhar os jogos do Mundial, escreve a «Agência Brasil».

Segundo as autoridades, o número de pedidos poderá chegar aos mil.

De acordo com o chefe da polícia, Noerci da Silva Melo, os ganeses são atraídos pela promessa de emprego.

«A região da Serra Gaúcha é tida como um local onde há emprego. Mas agora já está saturado», declarou.

O agente afirma que, apesar dos esforços que têm sido feitos para atender e orientar todas as solicitações nos últimos dias, a polícia vai ter que limitar o número de atendimentos.

«Agora, vamos receber 20 pedidos de asilo por dia. Antes, atendíamos cerca de 65», afirmou.

De acordo com o Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional da Justiça, o uso do visto de turista para entrar no Brasil não influencia a concessão ou não do asilo.

«Temos atualmente, no Brasil, centenas de refugiados sírios que ingressaram no país com o visto de turismo», explicou o diretor do departamento, João Guilherme Granja.

O diretor acrescentou, ainda, que o pedido de asilo político só pode ser feito dentro do país e que, por isso, há muitos estrangeiros que se fazem passar por turistas para o conseguir.

«O pedido não pode ser solicitado fora do território ou em embaixadas brasileiras. Por isso, se distingue do asilo diplomático», justificou.

De acordo com a legislação brasileira, depois de recebida a solicitação, a polícia federal deve emitir um protocolo a autorizar a permanência do requerente e do seu grupo familiar em território brasileiro, até ao final do processo.

Caso obtenham uma decisão favorável, os ganeses conseguem a Carteira de Trabalho e podem procurar emprego no país.

Governo do Gana admite estar «escandalizado» com os pedidos de asilo

Segundo a «BBC», os ganeses estão a pedir asilo político por serem muçulmanos e alegarem haver conflitos religiosos no país de origem.

O Governo do Gana já se pronunciou sobre a questão e admitiu estar «escandalizado» com os pedidos.

Em comunicado, o governo afirma que não há violência religiosa no país.

«A razão por detrás destes pedidos é completamente falsa porque não há conflitos religiosos no Gana.»

O país é considerado um dos mais pacíficos e prósperos do continente africano.

O Ministro do Desporto ganês, Maham Avariga, comentou a situação no programa da «BBC», «Focus on Africa».

«Sentimo-nos escandalizados», declarou.

Contudo, o ministro duvida que o número de solicitações chegue aos mil como sugeriu a polícia federal brasileira.

No Gana, cerca de 71 por cento da população é católica e 18 por cento muçulmana, sobretudo no norte do país. Apenas cinco por cento dos ganeses têm crenças indígenas.