O pai de Gabriel Cruz, o menino de oito anos que desapareceu há quase uma semana, em Espanha, encontrou no sábado uma camisola interior branca que as análises efetuadas pela Polícia Científica comprovaram agora conter ADN da criança.

A confirmação da descoberta do ADN foi feita no Twitter pelo ministro espanhol do Interior, Juan Ignacio Zoido.

As provas indicam que a camisola encontrada tem ADN de #GabrielCruz. As buscas continuam, a colaboração dos cidadãos é essencial. Se sabe de alguma informação, ligue o 112, 062 ou 091. Muito obrigado", lê-se na página oficial do governante.

 

De acordo com os jornais espanhóis El País e El Mundo, a camisola interior foi encontrada no sábado por Ángel Cruz, o pai do menino, e pela namorada, quando participavam nas buscas na área da estação de tratamento de esgotos de Barranco Las Águilas, na zona de Las Negras, a cerca de 3,5 quilómetros do local onde a criança desapareceu na terça-feira, dia 28 de fevereiro. Com eles estavam outras duas pessoas, que também ajudavam nas buscas.

A camisola interior branca não fazia parte da lista fornecida às autoridades da roupa que a criança estava a usar quando desapareceu, mas os pais asseguraram desde o primeiro momento que a roupa pertencia ao filho.

O pai explicou, num programa de televisão, que quando encontrou a camisola, não lhe tocou e chamou de imediato as autoridades. Além disso, Ángel Cruz garantiu que a camisola interior "não estava" à vista, mas meio escondida num canavial.

Estava escondida entre umas canas. Chamei imediatamente a Guardia Civil e sai dali para não contaminar nada", explicou, citado pelo El Mundo.

O El País sublinha que a camisola interior foi encontrada num local que já tinha sido alvo de buscas, por isso não se descarta que tenha sido lá colocada dias após o desaparecimento do menino.

A descoberta abriu novas linhas de investigação e alterou o perímetro das buscas, que já tinha sido ampliado num raio de cinco quilómetros. Quinhentas pessoas, entre polícias e voluntários, participaram nas buscas no domingo, mas ainda sem resultados. Esta segunda-feira, refere o El País, as buscas continuam de forma mais seletiva, porque o número de participantes também diminuiu, e são realizados principalmente por profissionais das forças de segurança.

Gabriel Cruz desapareceu na passada terça-feira depois de ter saído de casa dos avós em Níjar, Almería, para ir brincar com amigos e nunca mais voltou. 

O menino estava com o pai em casa da avó em Las Hortichuelas para passar os dias de férias devido ao Dia de Andaluzia. Cerca das 15:00, saiu para ir a casa de um primo, a cerca de 150 metros de casa dos avós, mas nunca chegou ao destino. A avó só percebeu isso quando foi para o ir buscar, ao fim da tarde.

O delegado do governo de Andaluzia, Antonio Sanz, em declarações aos jornalistas, disse que o rasto de Gabriel se perdeu entre as localidades de Las Hortichuelas e Las Negras, cerca das 15:30, mas o alerta só foi dado perto das 20:00, altura em que a avó percebeu que o menino não tinha chegado ao destino.

No momento em que desapareceu, Gabriel vestia umas calças pretas com listas brancas, da marca Adidas, uma camisola vermelha com capuz. 

De acordo com o jornal La Vanguardia, os pais de Gabriel não acreditam que o filho se tenha perdido no monte, uma vez que conhece "a zona desde que nasceu" e é "um pouco medroso, não sai por aí sozinho". Por isso mesmo, acreditam que o filho terá sido raptado no trajeto que é apenas "uma corrida de 30 segundos".

A mãe de Gabriel lançou mesmo um apelo aos supostos raptores pedindo-lhes que "coloquem a criança num carro e a deixem num centro comercial, na via pública, onde conseguirem”, prometendo que não irá haver represálias.

As buscas, por terra e por ar, revelaram-se até agora infrutíferas. Na sexta-feira, um homem que tem uma ordem de afastamento da mãe da criança, foi detido por não ter respeitado a restrição. No entanto, o ministro do Interior, já veio afirmar que não existe nenhuma ligação entre esta detenção e o desaparecimento do menor.