O funeral de Aylan, o menino de três anos que se tornou o símbolo da crise dos refugiados, aconteceu esta sexta-feira.  A criança que acordou o mundo para o drama, foi enterrada, em Kobani, a cidade natal da sua família.

Também o seu irmão de cinco anos Galib e a sua mãe Rehana morreram no naufrágio da embarcação onde seguiam rumo à Grécia. Foram enterrados juntos. 

A família ficou desfeita e o pai, Abdullah Kurdi, fez questão de regressar à Síria, onde quer ficar "para sempre".

Com a tragédia no peito, não só deixou a Europa como já não quer ir para o Canadá ter com parentes que lá vivem, como planeado inicialmente.
 

"Como um pai que perdeu os seus filhos, não quero nada para mim neste mundo. Tudo que eu quero é que esta tragédia na Síria termine imediatamente".


Foram estas as suas palavras a caminho de Kobani, uma cidade devastada pela guerra na Síria, que dura desde 2011, e que foi agravada pelo Estado Islâmico.

A família de Aylan viu-se forçada a mudar-se várias vezes durante o conflito sírio: de Damasco para Aleppo, de Aleppo para Kobani. Acabou por deixar o país em 2012 e mudou o apelido "Shenu" para "Kurdi", de modo a poder ser usado na Turquia, sem problemas, por causa da sua origem étnica.

Depois de tanta luta por uma vida melhor para a sua família, Abdullah Kurdi ficou sozinho. Como disse aos jornalistas, quis voltar ao seu país para dar um funeral digno à sua família e ficar onde ela está sepultada. Foi o que fez.