"Mami, Papi". Os gritos das crianças mexicanas separadas dos pais ecoam pelo centro de detenção temporário dos EUA na fronteira com o México. O áudio, divulgado pela ProPublica, revela o que se passa quando as famílias ali chegam e se vêem separados pelos agentes de imigração norte-americanos.

Enquanto as crianças choram e pedem que "não deportem" os pais, os agentes brincam com a situação dizendo que o centro de detenção ganhou uma "orquestra".

A gravação da organização não-governamental ProPublica foi feita por um anónimo que a entregou à advogada de direitos humanos Jennifer Harbury. De acordo com Harbury, que passou o áudio à ProPublica, a gravação foi feita na semana passada, não revelando, contudo, o local da gravação.

"Parecia que estavam naquele centro de detenção há menos de 24 horas, por isso o stress de terem sido separados dos pais ainda estava muito forte. Os oficiais do consulado tentaram consolá-los com snacks e brinquedos, mas as crianças estavam inconsoláveis". 

Na segunda-feira, a secretária da Segurança Interna norte-americana, Kirstjen Nielsen, afirmou não ter ainda ouvido a gravação, mas sublinhou que todas as crianças que se encontram sob custódia do Governo dos Estados Unidos estão a ser tratadas com dignidade e humanidade.

Em relação às críticas da oposição, que acusou a Administração de Donald Trump de estar a usar cerca de duas mil crianças imigrantes separadas das famílias como "peões" para alcançar fins políticos, como por exemplo o financiamento do muro entre os Estados Unidos e o México, a secretária norte-americana negou categoricamente estas acusações.

As crianças não estão a ser usadas como peões”, afirmou Kirstjen Nielsen, que desvalorizou ainda os relatos dos ‘media’ e instou as pessoas “a não acreditarem na imprensa”, salientando que crianças separadas das famílias “estão a ser bem tratadas”.

As autoridades norte-americanas confirmaram, na semana passada, que cerca de 2.000 migrantes menores foram separados das famílias na fronteira com o México nas últimas seis semanas, no âmbito da política “tolerância zero” aos imigrantes ilegais nas zonas fronteiriças impulsionada pela administração do Presidente Donald Trump.