A líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional, Marine Le Pen, vai ser julgada por alegados comentários “antimuçulmanos” e incitação à discriminação religiosa anunciou o gabinete do procurador, esta terça-feira.

Segundo a agência Reuters, durante uma ação de campanha em Lyon, em 2010, Le Pen comparou a "ocupação" de algumas ruas francesas por muçulmanos durante a altura das orações – quando as mesquitas estão cheias – à ocupação nazi, durante a segunda guerra mundial.
 

“Peço desculpa, mas para os que gostam de falar da segunda guerra mundial, se estamos a falar sobre a ocupação, podemos falar sobre isso (orações nas ruas), porque é claramente uma ocupação do território. (…) É uma ocupação de secções do território, de bairros onde a lei religiosa se aplica, é uma ocupação. Não há tanques, nem soldados, mas é uma ocupação de qualquer forma, e pesa sobre as pessoas”, disse.


Le Pen já criticou a decisão do gabinete do procurador, afirmando que a justiça está mais preocupada em processar quem denuncia os comportamentos ilegais "dos fundamentalistas", do que quem os pratica.

 “É um escândalo que uma líder política possa ser processada por expressar as suas crenças. Aqueles que denunciam o comportamento ilegal dos fundamentalistas têm maior probabilidade de ser processados do que os que se comportam ilegalmente”, disse.

O julgamento, que vai decorrer a 20 de outubro, chega menos de dois menos antes das eleições regionais no norte da França, onde o partido de Le Pen é visto como favorito à vitória.