Um jornalista foi detido por alegadas medidas de emergência para controlar o ébola na Serra Leoa.  David Tam-Baryoh tinha questionado a resposta governamental face ao surto do vírus, e acusado o governo de manipulação das informações sobre a epidemia, dias antes da sua violenta detenção em Freetown.

De acordo com a Reuters, que cita o chefe-superintendente da polícia, Ibrahim Koroma, Tam-Baryoh foi transferido para a prisão de Pademba, de máxima  segurança, após uma ordem executiva do presidente.

Um poder que lhe é concedido sem ordem judicial devido ao estado epidémico do país, importante relembrar que a Serra Leoa é um dos países da África Ocidental mais afetados por este surto do ébola. Desde o início da epidemia, o vírus já matou mais de 1500 pessoas só no país.
 
«A medida advém do protocolo de emergência do ébola em vigor no país», reforçou Koroma, sem detalhar as acusações contra o jornalista.
 
O mais provável é que a detenção esteja ligada ao comentário feito pelo repórter no popular programa de rádio «Monolgue», emitido pela Citizen FM no sábado, em que não só acusou o governo de manipulação das informações, mas também desafiou a legitimidade das detenções feitas no distrito de Kono, depois dos motins relacionados com o vírus, no final de outubro.

Após os desenvolvimentos desta terça-feira, a Associação de Jornalistas da Serra Leoa pronunciou-se em público, e condenou a decisão. Também o representante do Comité de Proteção dos Jornalistas, Peter Nkanga, reiterou que David está detido pela crítica que formulou ao presidente Ernest Bai Koroma.

Jornalistas locais confessaram que temem a repressão, à medida que tentam manter-se a par dos milhões de ajuda internacional, humanitária e monetária, que chega ao país. No caso dos milhões de doações que entram nos cofres do estado, a maior parte contribui para alargar os bolsos de quem deveria ajudar, denunciam.

Tanto repórteres como moradores locais relatam ainda que muitas vezes os camiões que transportam bens alimentares são estacionados longe dos locais sob quarentena, e não chegam aos destinatários, sofrendo saques dos próprios distribuidores.