O Presidente francês declarou esta terça-feira, em Lisboa, que um país que pretende aderir a União Europeia não pode "introduzir a pena de morte", referindo-se à Turquia.

"Pedimos que as medidas para julgar e deter aqueles que cometeram a tentativa de golpe de Estado estejam em conformidade com o Estado de direito", sublinhou François Hollande, lembrando que o Governo francês "condenou severamente a tentativa de golpe de Estado na Turquia, na sexta-feira.

O Presidente francês afirmou que sobre a questão da pena de morte, cuja possibilidade de introdução foi evocada pelo chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, na sequência da tentativa de golpe, a França e Portugal têm um "objetivo comum": a abolição da pena de morte em todo o mundo.

O chefe de Estado português condenou também a eventual adoção da pena de morte pela Turquia, declarando que Portugal espera que haja estabilidade e paz naquele país, mas também respeito pelos princípios do Estado de direito.

"Um dos princípios fundamentais do Estado de direito democrático é, para Portugal, que foi dos primeiros países do mundo a abolir a pena de morte, a não-admissão da pena de morte", frisou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente português falava na Sala das Bicas do Palácio de Belém, em Lisboa, tendo ao seu lado o Presidente francês, François Hollande, que efetua uma visita de trabalho de algumas horas a Lisboa, encurtada devido ao ataque de quinta-feira em Nice (sudeste), no qual morreram 84 pessoas.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, afirmou que mais de 7.500 pessoas foram detidas no âmbito do inquérito à tentativa de golpe de Estado na Turquia.

Entre os 7.543 suspeitos em detenção preventiva, contam-se 6.038 militares, 755 magistrados e 100 agentes da polícia, afirmou o chefe do Governo turco. O número total de mortos é de pelo menos 308, disse.

No final de uma reunião do conselho de ministros em Ancara, Binali Yildirim garantiu que os golpistas iam "prestar contas", mas "no âmbito do direito", ao mesmo tempo que, em Bruxelas, UE e Estados Unidos pediam à Turquia para respeitar o Estado de direito.