O presidente francês condecorou, nesta segunda-feira, os três amigos norte-americanos e o britânico que evitaram um possível massacre no TGV com a atribuição da medalha da Legião de Honra e palavras de louvor.
 

“Estamos aqui para homenagear quatro homens que, com a sua coragem, salvaram vidas. Em nome da França, quero agradecer-vos. O mundo inteiro admira a vossa coragem. São um exemplo e uma inspiração para todos nós. Colocaram as vossas vidas em risco para defender a liberdade.”


Os quatro homens, dois deles militares, dominaram o marroquino Ayoub El-Khazzani, que estava munido de várias armas, incluindo uma Kalashnikov, durante a viagem de sexta-feira no comboio de alta velocidade, que ligava Amesterdão a Paris.
 

"Um terrorista decidiu cometer um ataque no TGV. Ele tinha consigo armas suficientes e munições para levar a cabo uma carnificina e era o que teria feito se não tivesse sido dominado por vocês, à vossa conta e risco. Deram-nos uma lição de coragem e de esperança. Vocês são a encarnação do bem perante um ato demoníaco."

 
Do ataque resultaram três feridos, um deles o principal herói, o militar da Força Aérea norte-americana, Spencer Stone, que está destacado na Base das Lajes, e foi o primeiro a atuar, agarrando o atirador pelo pescoço.

Dois outros homens serão homenageados mais tarde com a medalha, tratam-se, anunciou o presidente, do franco-americano Mark Moogalian, de 51 anos, ferido no ataque e que ainda se encontra hospitalizado, e de um cidadão francês que pediu o anonimato.
 
Spencer Stone foi, aliás, não só o primeiro a dominar o atirador, como ainda, segundo o próprio François Hollande, “terá salvo Mark Moogalian”, que foi atingido por um disparo no pescoço e por isso ainda se encontra internado.
 
“Pus dois dedos no buraco [no pescoço], encontrei o que seria o resto da munição, puxei-a para fora e a hemorragia parou. Depois mantive a posição até à chegada dos paramédicos”, contou o militar da Força Aérea.

O atacante de 25 anos, referenciado pelos serviços secretos de Espanha, onde viveu em Algeciras, como tendo ligações islamismo radical, nega a intenção de levar a cabo um atentado terrorista, alegando que queria apenas fazer um assalto para ganhar dinheiro.