Notícia atualizada às 11:19

A Coreia do Norte disparou três mísseis de curto alcance para o mar, a partir da sua costa oriental, anunciou o governo sul-coreano, pouco depois da chegada do Papa Francisco a Seul.

Os lançamentos começaram às 09:30 (01:30 em Lisboa), a partir de uma localização próxima do porto de Wonsan, no leste do país.

Os mísseis foram disparados em direção ao Mar do Leste (ou Mar do Japão), à distância de cerca de 220 quilómetros, segundo um porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano.

O Papa Francisco chegou esta manhã a Seul, não muito longe do paralelo 38, que traça a fronteira entre as duas Coreias.

O Papa pediu às duas Coreias para ultrapassarem «as recriminações» e para deixarem de recorrer ao «destacamento de forças», considerando que a paz só pode ser conseguida através do diálogo e do perdão.

Perante a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e as diferentes autoridades do país, Francisco, que falou pela primeira vez, em âmbito oficial, em inglês, saudou «os esforços desenvolvidos em favor da reconciliação e da estabilidade na península coreana (...) pois eles constituem o único caminho para uma paz duradoura».

«A diplomacia, enquanto arte do possível, baseia-se na firme e perseverante convicção de que a paz pode ser alcançada pela audição tranquila e o diálogo, mais do que pelas recriminações mútuas, as críticas estéreis e o destacamento de forças», afirmou, numa referência indireta ao regime norte-coreano.

A presidente Park Geun-hye, que recebia o Papa na Casa Azul, residência oficial do chefe de Estado sul-coreano, lembrou que «mais de 70.000 famílias continuam separadas», desde a divisão da península no final da Guerra da Coreia (1950-53).

«Queremos realizar a reunificação», declarou a presidente, sublinhando que «a Coreia do Norte deve renunciar ao programa nuclear». Pyongyang mantém que o programa nuclear destina-se a fins civis, mas Seul e Washington suspeitam que o regime pretende dotar-se de mísseis balísticos armados com ogivas nucleares.

«Apesar das provas, o calor do dia e a obscuridade da noite deixaram sempre nascer a manhã calma, quer dizer, uma esperança tenaz na justiça, paz e unidade», disse o Papa.

Jorge Bergoglio apelou para que as injustiças sejam ultrapassadas «pelo padrão, tolerância e cooperação».

Ao sublinhar o valor do testemunho dos 124 primeiros mártires cristãos da Coreia, que vai beatificar, «prontos a dar a vida pela verdade em que acreditavam», o Papa lembrou a tradição coreana de «reconhecer a sabedoria dos anciãos» e pediu aos jovens que usem esta herança para responder «aos desafios do presente».

O sumo pontífice deverá celebrar uma missa «pela paz e reconciliação» na península coreana, na catedral de Myeong-dong, em Seul, a 18 de agosto, no quinto dia da sua visita à Coreia do sul.

Representantes da igreja na Coreia do Sul enviaram pedidos para Pyongyang enviar um grupo de católicos para participarem no evento, mas a Coreia do Norte declinou o convite, manifestando a sua oposição com exercícios militares.

O catolicismo, como qualquer outra religião, só é permitido na Coreia do Norte sob apertadas restrições, e dentro dos limites das associações católicas controladas pelo Estado.

A viagem do Papa corresponde a uma prioridade do Vaticano, já que Francisco quer apoiar as Igrejas minoritárias, mas dinâmicas, na Ásia, objetivo estratégico da Igreja católica, sem esquecer a vasta China.

Esta é a terceira viagem do Papa Francisco desde a sua eleição, em março do ano passado, depois do Brasil e do Médio Oriente.

A visita de cinco dias à Coreia do Sul figura, aliás, como a primeira deslocação de um Papa à Ásia num período de 25 anos.