A polícia italiana conseguiu, com a ajuda das redes sociais, descobrir a identidade de um esquiador francês que morreu em 1954 a 3.100 metros de altitude e que esteve desaparecido durante 64 anos, adiantou a AFP.

O apelo da polícia nas redes sociais foi feito em junho, onde se pode lerem as únicas informação que tinham sobre a vítima, como a idade que ele teria na altura do desaparecimento: cerca de trinta anos. 

Os restos mortais e os acessórios do esquiador foram encontrados a 22 de julho de 2005 no Val d’Aoste (noroeste de Itália), nos cumes dos Alpes, na região de Valtournenche, explicou no domingo a polícia italiana, mas tal não foi suficiente para conseguir identificar a vítima mortal. 

A polícia científica de Turim apenas sabia que se tratava de uma pessoa abastada, tendo em conta a boa marca dos seus esquis. Concluíram ainda que o esquiador devia medir cerca de 1,75 metros e que a morte teria então acontecido na altura da primavera. 

Foram recuperados ainda os óculos, um relógio e pedaços de uma camisa com iniciais bordadas.

A polícia tinha então posto de parte a hipótese do esquiador ser italiano, uma vez que a investigação em Itália não tinha obtido qualquer resultado na identificação.

Rapidamente, uma francesa, Emma Nassem, respondeu, depois de ter ouvido a informação numa rádio francesa, tendo indicado o nome do seu tio, Henri Le Masne, nascido em 1919 em Alençon, oeste de França, e morreu no monte Cervin, na região de Val d’Aoste nos Alpes, em 1954, num dia de grande tempestade. 

Também o irmão mais novo da vítima, Roger Le Masne, agora com 94 anos, se manifestou emocionado, após o apelo.

Sou irmão de Henri Le Masne, que é provavelmente o esquiador desaparecido durante 64 anos”, escreveu numa carta.

No momento do desaparecimento, Roger Le Masne chegou a deslocar-se ao hotel de montanha onde o irmão tinha reservado um quarto durante quinze dias, e onde tinha deixado objetos pessoais, como 35 mil liras e cinco mil francos franceses, e onde não regressou depois de sair para esquiar a 26 de março de 1954.

Numa fotografia disponibilizada pela família, a polícia de Aoste identificou os mesmos óculos encontrados a 3.100 metros de altitude.

Mas para eliminar qualquer dúvida, Roger Le Masne disponibilizou-se para um teste de ADN, que revelaram a presença de um cromossoma Y comum a várias gerações de homens na família.

Passados 60 anos, a 24 de julho, Henri Joseph Leonce Le Masne foi formal e finalmente identificado.