França amanheceu com as bandeiras a meia haste. Era suposto ser dia de festa mas, em Nice, pelo menos 84 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas esta quinta-feira durante as celebrações do Dia da Bastilha. Eis tudo que sabemos por agora:

 

Como aconteceu

Na Promenade des Anglais, onde milhares de pessoas assistiam os fogos de artifício que assinalavam o dia de França, um camião atravessou a avenida, que estava fechada ao trânsito, e, durante dois quilómetros, abalroou a multidão. CInquenta pessoas estão em estado considerado crítico e, entre os hospitalizados, há mais de 50 crianças.

As vítimas ainda não foram identificadas, mas estima-se que várias crianças estejam também entre os mortos. Há registo de dois americanos mortos, um britânico e dois nacionais da Estónia entre os feridos.

Antes de ser abatido, o condutor do camião terá ainda trocado tiros com a polícia. De acordo com a agência AFP, o suspeito tinha ainda no interior do veículo de 19 toneladas uma granada “inoperacional” e “uma série de falsas caçadeiras”.

Os incidentes aconteceram por volta das 22:30 locais (menos uma hora em Lisboa).

À TVI24, vários portugueses descreveram os momentos de pânico que viveram no local.

O português Miguel Cunha estava no Promenade des Anglais com os amigos. O camião parou a 30 metros dele. “Parou sozinho. Não sei como, se teve algum problema mecânico. Os tiros aconteceram 30 segundos ou um minuto depois. Só aí os polícias começaram a disparar de rajada contra o camião. Um polícia tentou tirar o camionista”, relata, em telefonema à TVI24.

Qualquer coisa fez parar o camião, mas não foi a polícia”, reforça.

Para já, não há registo de portugueses entre as vítimas.

 

França continua em estado de emergência

A 26 de julho deveria deixar de ter efeito o estado de emergência no país, como o presidente francês garantira numa entrevista na tarde de quinta-feira.

Esta madrugada, no entanto, falando aos franceses após o atentado em Nice, François Hollande anunciou que a França se vai manter em situação de alerta.

O carácter terrorista deste ataque não deve ser negado", sublinhou o presidente francês, fazendo questão de exprimir “toda a solidariedade às famílias das vítimas".

Hollande decretou ainda três dias de luto pelas vítimas do atentado, a partir deste sábado até segunda-feira e mobilizou mais de 10 mil militares e polícias.

O Primeiro-ministro francês falou esta manhã, depois da reunião do Conselho de Defesa, afirmando que foi instalado um gabinete de crise, e está instalado um “sistema de vigilância anti-terrorista”, sendo que foram elevados para “grau máximo”.

"Ninguém nos fará ceder" e, por isso, garante que irá continuar a atacar as posições terroristas na Síria e no Iraque.

 

Ataque ainda não foi reivindicado

A autoria do atentado ainda não foi reivindicada, mas o SITE, que monitoriza a atividade terrorista a nível mundial adianta que sites pró-Estado Islâmico estão a "divulgar as notícias sobre a tragédia e a celebrar o massacre".

 

Autor já foi formalmente identificado

Chama-se Mohamed Lahouaiej Bouhlel, 31 anos, e era um franco-tunisino nascido em Nice. 

As autoridades terão encontrado documentos de identificação do motorista dentro do camião depois de o terem abatido. 

Esta manhã soube-se que terá sido encontrado um segundo cartão de identidade no camião, onde foram encontradas várias armas.

Segundo o jornal de Nice, também esta manhã foram feitas buscas na residência de família do suspeito de terrorismo, autor da morte de pelo menos 84 pessoas. Trata-se da residência onde viveu com a família, mas de onde foi expulso na sequência de violência doméstica, avançam os vizinhos ao Nice Matin.

O britânico The Guardian, que cita fontes da polícia francesa e os media franceses, avança que o camião usado no ataque foi alugado em Saint-Laurent-du-Var, perto de Nice, há dois dias.