A Rússia vai expulsar quatro diplomatas franceses, em resposta à decisão de Paris de expulsar quatro diplomatas russos na sequência do caso Skripal, informou sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

A decisão de hoje da Rússia de expulsar quatro membros da embaixada francesa na Rússia não nos surpreendeu. Não podemos deixar de lamentar e lembrar que até hoje a Rússia se recusou a dar explicações sobre o ataque de Salisbury”, no sudeste de Inglaterra, segundo um comunicado do Quai d´Orsay (Ministério dos Negócios Estrangeiros).

Na nota é referido que, “ao decidir, no dia 26 de março, expulsar quatro funcionários russos com estatuto diplomático, a França pretendeu demonstrar a sua total solidariedade com o Reino Unido, na sequência do ataque químico perpetrado em Salisbury”.

Ainda no comunicado a França lembra a disponibilidade para “um diálogo construtivo com a Rússia sobre todas as questões internacionais”.

Expulsões na mesma quantidade

Moscovo anunciou na quinta-feira a expulsão de 60 diplomatas norte-americanos em resposta à onda de expulsões que fez com que mais de 120 diplomatas russos fossem declarados “persona non grata” em 26 países (incluindo os Estados Unidos), 18 deles da União Europeia.

Moscovo respondeu da mesma forma, expulsando o mesmo número de diplomatas que cada país expulsou.

Sexta-feira à tarde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou ter informado das medidas de retaliação 23 embaixadores dos países que ordenaram a expulsão de diplomatas russos, no seguimento do envenenamento do antigo espião Sergei Skripal.

De acordo com um comunicado citado pela agência de notícias AP, já foram convocados 23 embaixadores dos países que estão a expulsar diplomatas russos em solidariedade com o Reino Unido, onde o antigo espião Sergei Skripal e a sua filha Yulia foram envenenados.

Segundo o comunicado citado pela AP, os países informados no decorrer do dia de hoje foram a Austrália, Albânia, Alemanha, Dinamarca, Irlanda, Espanha, Itália, Canadá, Letónia, Lituânia, Macedónia, Moldávia, Holanda, Noruega, Polónia, Roménia, Ucrânia, Finlândia, França, Croácia, República Checa, Suécia e Estónia.

A Rússia está ainda a ponderar a retaliação em resposta às medidas anunciadas pela Bélgica, Hungria, Geórgia e Montenegro.

A convocação dos embaixadores surge no mesmo dia em que o Kremlin garantiu que não foi a Rússia a iniciar uma guerra diplomática, na sequência da expulsão de dezenas de diplomatas russos devido ao caso do envenenamento do antigo espião russo.

O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes em 04 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra, após terem sido envenenados com um componente químico que ataca o sistema nervoso.

O Reino Unido atribuiu o envenenamento à Rússia, que tem desmentido todas as acusações e exigido provas concretas sobre esta alegação.