Em 1943, o francês Jean Duret salvou-se do massacre Nazi e saltou de um comboio, conseguindo evitar a morte num campo de concentração. Nesse salto ganhou a vida, mas perdeu um relógio de bolso, que pertencia à família há muitos anos.

Agora, quase 75 anos volvidos esse relógio voltou à família dele, tendo sido enviado por uma alemã ao filho de Jean Duret, Jean-Michel Duret.

A alemã Sabine Konitzer tinha o relógio em casa, herdado da família sem saber a sua origem, e ia vendê-lo. Para isso mandou limpá-lo e foi aí que encontrou as inscrições "Duret Jean" e "Habère-Lullin". Ora, a primeira inscrição é o nome do pai de Jean-Michel Duret e a segunda é o nome do local onde morava e continua a morar a família.

Sabine Konitzer decidiu investigar para saber a origem do relógio e através das inscrições descobriu Jean-Michel Duret. Enviou-lhe uma carta em janeiro a perguntar se Jean-Michel Duret queria reaver o relógio.

Naturalmente, Jean-Michel Duret quis o relógio, que apesar de não ter muito valor económico, tem muito valor sentimental e fá-lo recordar a história vivida pelo pai.

Na noite de Natal de 1943 fazia um ano que a localidade de Habère-Lullin estava dominada pelos alemães. Para comemorar a Consoada, a família Bourgeois organizou um baile no castelo, que possuía, para os jovens e a maior parte dos presentes estavam ligados à Resistência, ou seja, contra os Nazis. Jean Duret marcava presença. A SS, organização paramilitar nazi, tomou conta do evento e liderados pelo traidor invadiram o castelo, dispararam contra 25 jovens, incendiando os corpos. 

Aos outros prenderam-nos e meteram-nos num comboio para os levar para um campo de concentração, em Leipzig. Nessa viagem alguns conseguiram fugir e entre eles estava Jean Duret, que de seguida voltou a Habère-Lullin.

Após a guerra, Jean Duret casou, constituiu família e faleceu em 2010.

Ao Le Parisien, o filho agradeceu o gesto de Sabine Konitzer, que até se deu ao trabalho de traduzir o seu texto de alemão para francês: "Foi um gesto extraordinário."