O Governo francês pretende impor aos cidadãos franceses que regressem da Síria ou do Iraque “fortes condições de vigilância”, incluindo “prisão domiciliária”, disse esta segunda-feira uma fonte do Executivo, citada pela AFP.

O Governo pretende que aqueles franceses, potencialmente envolvidos com grupos extremistas, sejam sujeitos a um “visto de regresso” ao território nacional, afirmou a mesma fonte, sublinhando que a criação e a aplicação daquela medida supõe uma revisão constitucional.

O Presidente francês, François Hollande, anunciou esta segunda-feira aos deputados e aos senadores, excecionalmente reunidos no Palácio de Versalhes, que lhes será submetida uma revisão da Constituição para permitir ao Governo “agir contra o terrorismo de guerra”.

Se o direito de um cidadão francês a regressar ao país é "inalienável", diz ainda a fonte governamental citada pela AFP, certos franceses "envolvidos nas fileiras jihadistas na Síria e no Iraque” fazem “regularmente a viagem de ida e volta” entre a França e a Síria e “o direito inalienável ao regresso dessas pessoas perigosas coloca um risco de segurança significativo."

Entre eles, “há jihadistas ‘arrependidos’ de quem é difícil avaliar a sinceridade”, acrescenta a fonte. Perto de mil franceses ou residentes em França são “conhecidos por terem ido para a Síria ou para o Iraque”. “142 morreram por lá, 588 ainda lá estão e 247 já saíram de lá”, conclui a fonte.

Recorde-se que a grande maioria dos terroristas dos ataques de Paris já identificados são cidadãos franceses e que muitos deles terão passado pela Síria.