O presidente da câmara de Champlan, uma vila francesa a poucos quilómetros de Paris, terá alegadamente recusado o funeral de um bebé de etnia cigana, argumentando que o cemitério tinha pouco espaço e que a «prioridade é dada aos locais que ali pagam impostos», segundo escreveu o «Le Parisien».


Mais tarde, o autarca, Christian Leclerc, disse à agência France Press que as suas palavras tinham sido descontextualizadas, esclarecendo que «em momento algum se opôs à realização do funeral» no cemitério da vila e que «lamentava muito» a repercussão dada ao caso.

O caso do funeral de Maria Francesca, nascida a 14 de outubro e falecida a 26 de dezembro de 2014, vítima da síndrome de morte súbita, chegou às mais altas instâncias nacionais, obrigando a uma reação do primeiro-ministro, Manuel Valls, considerando uma «injúria à sua memória e um insulto à França».
  Nas redes sociais, os internautas reagiram com a hashtag # honte, ou seja, vergonha - como exemplificam as declarações abaixo -, que dizem tratar-se de uma «humilhação» e de uma «negação dos valores da História» de França. 
  O incidente já levou à abertura de um inquérito por suspeitas de racismo, dirigido pelo antigo ministro e defensor dos Direitos Humanos, Jacques Toubon, que se mostrou «chocado», segundo a France Presse.

Maria Francesca foi levada para o hospital de urgência. Na madrugada de dia 26 de dezembro, quando a mãe foi acordar a bebé para amamentá-la, a criança não reagiu e estava fria. O óbito foi declarado no hospital.

Os pais de Maria Francesca vivem num acampamento em Champlan há cerca de oito anos, com os dois filhos de cinco e nove anos. Não têm água nem luz. A família é natural da Roménia. A comunidade de etnia cigana ronda os 20 mil em França e é maioritariamente oriunda da Roménia e da Bulgária.