Quarenta e oito horas depois dos ataques de Paris, as autoridades avançam nas investigações e identificam mais terroristas e suspeitos de ligação aos atentados que fizeram pelo menos 129 mortos e mais de 350 feridos. Nas últimas 48 horas, as autoridades francesas fizeram quase 170 buscas, das quais resultaram 23 detenções.
 
Eis o que se sabe até agora dos homens que espalharam o medo e a consternação em França e na Europa:
 

Abdelhamid Abaaoud – o alegado estratega, em fuga

 Abdelhamid Abaaoud combateu na Síria, pelo Estado Islâmico



Será ele o mentor dos ataques de sexta-feira, em Paris, acreditam as autoridades. É belga, de origem marroquina, e tem 27 anos. Combateu ao lado do Estado Islâmico na Síria.

Chegou a aparecer em vídeos do Estado Islâmico, ao volante de um carro que transportava corpos mutilados para uma vala comum. Está, ainda, relacionado com o ataque num comboio de alta velocidade com destino a Paris, frustrado por dois soldados norte-americanos, e com um outro ataque contra uma igreja. 

As autoridades apontam-lhe ainda ligações a dois outros que foram mortos numa operação antiterrorista em janeiro, em Verviers, Bélgica. 
 

Ahmad Al Mohammad – morto numa das explosões junto ao Estádio de França

Ahmad Al Mohammad tinha a seu lado um passaporte sírio, cuja autenticidade ainda não foi confirmada


É um dos homens-bomba que se fez explodir junto ao Estádio de França. A seu lado, tinha um passaporte sírio, mas a autenticidade do documento ainda não está confirmada. Contudo, as impressões digitais colocam-no de passagem pela ilha grega de Leros, no início de outubro.
 
“Se a autenticidade do passaporte ainda está por verificar, há concordância entre as impressões digitais do kamikaze e as que foram registadas num posto de controlo na Grécia”, confirmaram, esta segunda-feira, as autoridades judiciais francesas, em comunicado.
 

Samy Amimour – morto durante o assalto ao Bataclan

  

Samy Amimour, um dos kamikaze que se fez explodir no Bataclan


Nasceu a 15 de Outubro de 1987 em Paris e originário de Drancy. Foi um dos kamikaze que se fez explodir na sala de espetáculos Bataclan.  

É conhecido da justiça antiterrorista desde 2012, quando em outubro desse ano foi acusado por associação criminosa terrorista, no âmbito de um ataque abortado a partir do Yémen. Nessa altura, ficou sob controlo judicial. Violou a fiscalização jurisdicional sob a qual estava abrangido, no outono de 2013, tendo a partir daí sido emitido um mandado internacional de prisão.

Samy foi motorista dos transportes públicos de Paris durante 15 meses. Depois de deixar o trabalho, em 2012, é que se terá juntado ao Estado Islâmico. Em dezembro de 2014, o jornal Le Monde publicou o testemunho de um pai que tinha ido à Síria para tentar resgatar o filho das garras do Estado Islâmico, mas o filho não quis regressar a França. Esse filho era Samy. 
 
Três pessoas do seu círculo familiar ficaram sob custódia policial, no domingo de manhã.
 

Ismael Omar Mostefai – morto durante o assalto ao Bataclan

 
Foi o primeiro terrorista a ser identificado. Tinha 29 anos e ascendência argelina. A imprensa internacional avançou que era filho de pai argelino e de mãe portuguesa, mas as autoridades portuguesas ainda não confirmaram esta ligação a Portugal.
 
Nasceu em Courcouronnes e tinha no currículo oito detenções, entre 2004 e 2010, por “delitos comuns” como condução sem habilitação. Mas nunca tinha estado preso.
 
Estava referenciado como extremista desde 2010, mas, segundo o procurador parisiense François Molins, "nunca esteve implicado numa investigação ou associação terrorista".
 
Vivia em Chartres com a mulher e uma filha de cinco anos e trabalhava numa padaria.
 

Bilal Hadfi – morto numa das explosões junto ao Estádio de França

Bilal Hadfi, de apenas 20 anos


Terá sido um dos kamikazes do Estádio de França. Era conhecido dos serviços secretos belgas.
Nasceu em França, em janeiro de 1995, mas vivia na Bélgica. Esteve na Síria a combater pelo estado Islâmico e regressou à Europa para levar a cabo os atentados de Paris.
 

Salah Addeslam  - em fuga

 

Salah Addeslam, alvo de um mandado de captura internacional


É alvo de um mandado de captura internacional. Está em fuga desde sábado de manhã. Será um dos atiradores que espalharam a morte nos bares e restaurantes do 10º e 11º arrondissements, juntamente com o irmão Brahim.
 
A polícia francesa alerta que é um homem perigoso e pede à população que contacte as autoridades e que não caia na tentação de agir sozinho.
 

Brahim Abdeslam – morto na explosão do restaurante Le Comptoir Voltaire

 
Será um dos terroristas que se fez explodir no restaurante Le Comptoir Voltaire, depois de ter participado dos tiroteios com o irmão Salah.
 
Nasceu em França há 29 anos e residia em Molenbeek, uma vila nos arredores de Bruxelas, na Bélgica.