Il pleut à Paris.

Chove muito em Paris por estes dias, tanto que esta sexta-feira as águas do rio Sena, que atravessa a capital francesa, já registam uma subida entre 6,30 e 6,50 metros, um máximo que ultrapassa a marca de há 34 anos, quando o Sena subiu 6,15 metros. 

O mau tempo tem causado vários estragos e perturbações à circulação um pouco por toda a zona norte de França, e o estado de catástrofe natural já foi declarado pelo governo.

Na capital francesa, as zonas mais afetadas são as que ficam nas margens do rio Sena, provocando inundações que já ameaçam os dois museus que ficam nas margens, o - menos conhecido - Museu d'Orsay e o Museu do Louvre.

Este último, o museu mais visitado do mundo, que guarda peças inestimáveis como a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci ou artefactos egípcios de valor incalculável, decidiu encerrar portas esta sexta-feira para garantir que a água não causa danos nas obras armazenadas nos pisos subterrâneos. As visitas estão interrompidas para que os trabalhadores do museu possam mudar as caixas para os pisos superiores, salvaguardando milhares de obras – ainda que o museu possuam bombas para retirar a água e portas especiais para prevenir esse cenário.

Devido à subida no nível do rio Sena, o Museu do Louvre vai estar fechado ao público no dia 3 de junho, 2016, para garantir a proteção das obras armazenadas nas zonas vulneráveis às cheias. Pedimos desculpa pelo incómodo causado”, lê-se no comunicado publicado na página oficial do Louvre.

Há caixas espalhadas por todo o museu, como se vê em algumas fotografias partilhadas pelas agências de notícias e utilizadores das redes sociais. Uma foto tirada na galeria onde está exposta a “Vénus de Milo”, deixa bem claro que o museu não pode funcionar normalmente.

Na outra margem do Sena, no Museu d'Orsay também se encontra fechado, já desde quinta-feira, pelos mesmos motivos. Como escreve a agência France-Presse (AFP), em marcha está um “plano de proteção”, com as obras a serem movidas dos pisos mais baixos para os mais à superfície.

O museu tem no seu interior quadros de artistas de renome como Renoir, Manet, Van Gogh, Degas e Gauguin.

O plano seria colocado em marcha se o Sena subisse mais de 5,5 metros, nível que já ultrapassou. No entanto, a situação não é tão grave como no Louvre, já que muitas das obras do d’Orsay já estão armazenadas num edifício à parte. O Louvre também planeia transferir muitas das suas obras para um novo edifício junto a um museu satélite em Lens, no norte da França, mas o processo só deverá começar em 2019.

Por enquanto, a única solução é a que está em marcha, esperando, claro, que as águas não atinjam os recordes de 1910, quando o Sena ultrapassou os oito metros.

Mesmo que a situação no norte da França não seja motivo para rir, alguns internautas não resistiram e publicaram nas redes sociais imagens que caricaturam as cheias em Paris. Pode ver algumas logo abaixo.