Quarenta por cento dos franceses afirmam que a comunidade muçulmana é uma «ameaça» à «identidade» do país, segundo uma sondagem divulgada esta sexta-feira e citada pela AFP.
 
Na mesma sondagem, realizada já depois do ataque ao jornal satírico «Charlie Hebdo», 25% dos inquiridos responderam que veem a presença de muçulmanos em França como um «fator de enriquecimento cultural». Os restantes 25% responderam «nem uma [ameaça] nem outra [fator de enriquecimento cultural]» opção.
 
Segundo a mesma sondagem da Ifop, 66% dos franceses defendem que «não deve confundir-se os muçulmanos que vivem pacificamente em França com os islamitas radicais que representam uma ameaça». No entanto, 29% dos inquiridos acreditam que «o islão representa uma ameaça» de qualquer maneira. Cinco por cento não respondeu a esta questão.
 
A sondagem dividiu os inquiridos por «simpatia» partidária e concluiu que o Partido Socialista é o mais tolerante com a comunidade muçulmana e a Frente Nacional o menos tolerante.
 
86% dos simpatizantes da Frente Nacional veem os muçulmanos como uma «ameaça». 49% dos simpatizantes da UMP, 32% dos simpatizantes da Frente de Esquerda e 18% dos simpatizantes do Partido Socialista também.
 
Por outro lado, 48% dos simpatizantes do PS responderam que a comunidade muçulmana é um «fator de enriquecimento cultural». 41% dos simpatizantes da Frente de Esquerda, 14% dos simpatizantes da UMP e apenas 1% dos simpatizantes da Frente Nacional também.
 
Na sondagem, realizada entre os dias 9 a 12 de janeiro, 93% dos inquiridos admitiram que há uma ameaça terrorista elevada em França. No dia 1 de janeiro, após uma série de ataques ocorridos no fim do ano, este número era de 80%. Em setembro, era de 74%, o que significa que o medo de ataques tem vindo a acentuar-se.
 
Na última questão colocada aos 1001 inquiridos, a sondagem demonstrou que 69% dos franceses se mostraram «favoráveis» à participação na intervenção militar no Iraque contra o Estado Islâmico.