Farid Benyettou, antigo mentor religioso da rede iraquiana de Paris, a chamada rede de Buttes-Chaumont, e que radicalizou os irmãos Kouachi, trabalha como enfermeiro estagiário nas urgências do hospital parisiense Pitié-Salpêtrière desde dezembro de 2014, explicou ao «Le Monde» o chefe daquele serviço, Bruno Riou, confirmando uma informação do jornal «Le Parisien».

O homem, de 33 anos, foi retirado das urgências na sexta-feira de manhã «porque o Pitié recebeu feridos e familiares de feridos» do ataque ao jornal satírico «Charlie Hebdo», que na quarta-feira provocou 12 mortos e 11 feridos.

«Foi uma medida preventiva para o proteger e para proteger a ordem pública por causa da emoção que poderia causar a sua presença», disse Riou ao «Le Monde», acrescentando que não conhecia o passado de Benyettou e que este termina a formação dentro de três semanas.


Fonte judicial adiantou ao «Le Monde» que Farid Benyettou se apresentou às autoridades na quinta-feira à noite depois de ter entrado em contacto com a Direção-geral de Segurança Interna, para dizer que não tinha nada a ver com os atentados levados a cabo pelos irmãos Kouachi e por Amedy Coulibaly. Farid Benyettou não ficou sob custódia policial.

«Aluno estudioso e discreto»

O jornal «Le Parisien» dá conta de um volte-face do agora aluno de enfermagem que está a fazer um internato no hospital Pitié-Salpêtrière, a enorme unidade de saúde que na quarta-feira recebeu feridos do ataque ao jornal satírico «Charlie Hebdo».

 

Nascido a 10 de maio de 1981, Farid Benyettou chegou a ser presença regular na mesquita Adda'wa. No início dos anos 2000 conheceu os irmãos Kouachi, em particular Chérif, um dos atacantes ao «Charlie Hebdo», a quem terá professado a sua mensagem radical. Farid Benyettou chega mesmo a ser descrito como mentor.

Em 2008, Farid Benyettou foi condenado a seis anos de prisão por associação criminosa por liderar a célula Buttes Chaumont, o nome de um parque do norte de Paris, onde os integrantes faziam exercícios físicos e recrutavam combatentes para a «jihad» (Guerra Santa) no Iraque.

Conta o «Le Parisien» que, depois de ter sido libertado em 2011, Farid começou a estudar no instituto de formação de enfermagem um ano depois. O «Le Monde» adianta que a escola sabia das condenações de Benyettou desde o início.

No início de dezembro de 2014, Farid Benyettou integrou o Pitié-Salpêtrière, onde está a fazer o internato em enfermagem.

Farid não foi escalado para trabalhar na quarta e quinta-feira, mas terá voltado ao serviço para um turno na passada sexta-feira. Entre os colegas, o espanto é grande, escreve o «Le Parisien».

Com um passado ligado ao radicalismo islâmico, além da relação que construiu com um dos homens que entrou de metralhadora em punho na redação do «Charlie Hebdo», Farid tornou-se agora assunto na imprensa francesa.

Os colegas, apesar da surpresa, descrevem-no como um «aluno estudioso e discreto».