Uma mãe francesa decidiu levar o Governo a tribunal, na terça-feira, por este ter deixado o filho adolescente sair do país para se juntar aos jihadistas, na Síria. O rapaz, identificado apenas por “B”, tinha 16 anos quando deixou a cidade de Nine, com mais três colegas, em dezembro de 2013, para se juntar à jihad, noticia a AFP.

Segundo a agência, o menor apanhou um avião até à Turquia antes de continuar a viagem para a Síria. A mãe, que não tinha conhecimento das intenções do filho, conseguiu falar com "B" ao telefone há pouco tempo e revelou que o este continua no país.

“A polícia cometeu um erro grave … considerando que se tratava de um menor, sem acompanhante, que tinham um bilhete de ida para a Turquia, sem bagagem”, afirmou Samia Maktouf, advogada da família de "B", à porta do Tribunal Administrativo de Paris, onde se deslocou para apresentar o processo.


A progenitora, católica-praticante, pede agora uma indemnização de 110 mil euros para ela e para os pais das outras três crianças.

“Não é no dinheiro que estou interessa, mas nós queremos que se saiba que um erro foi cometido. A partida de menores para a jihad tem que parar”, disse a mãe.


De acordo com Maktouf, a mãe de "B" só descobriu as intenções do filho dias antes do seu desaparecimento, através de uns adolescentes que residem na vizinhança. No entanto, o alerta para o seu desaparecimento só foi dado 24 horas depois do rapaz deixar de ser visto. 

O ministro do Interior escreveu à família afirmando que o Governo não tem responsabilidade na partida de "B" uma vez que o rapaz não estava sob investigação e não havia um princípio jurídico para impedir a saída. Para conseguir sair do país, "B" precisou apenas de um passaporte ou um bilhete de identidade nacional válidos.

A França é o país com maior população muçulmana na Europa e, por isso, muitos dos estrangeiros a combater no Médio Oriente saem daquele país. O Governo estima que existem cerca de 500 cidadãos franceses ou residentes em França na Síria.

No ano passado, muitos adolescentes foram proibidos de viajar, na sua maior parte, depois de a família ter dado o alerta. Também em 2014 foram aprovadas leis que permitem que cartões de identificação e passaportes sejam confiscados quando há suspeita de que o indivíduo se quer juntar aos jihadistas.