O homem detido na sexta-feira em Arras, França, depois de ter tentado um alegado ataque terrorista no TGV que fazia ligação entre Amesterdão e Paris, e que foi dominado por quatro passageiros, garante que não tinha intenções de matar, apenas assaltar os utentes do comboio.

A advogada do homem, identificado como Ayoub El Kahzzani, cidadão marroquino, deu uma entrevista à agência Reuters, na qual relatou que o seu cliente parece desorientado e confuso com as acusações que lhe são apontadas, já que não tinha intenções de causar um massacre.

Sophie David acrescentou que o marroquino é um sem-abrigo, aparentemente fraco e com sinais de subnutrição, que apenas queria dinheiro.
 

“Perguntei-lhe se ele sabia do que estava acusado, ele respondeu que sim. Mas quando lhe lembrei o porquê da sua detenção ficou espantado pela acusação de terrorismo. Sobre a tentativa de homicídio, garantiu que não corresponde à verdade, já que não houve tiros. Não nega a acusação de porte de arma, admite ter a kalashnikov, mas garante que não funcionava e que foi imobilizado antes que pudesse disparar”, disse à Reuters.


Sobre o tiro alegadamente ouvido, Kahzzani garante não ser da sua autoria, insistindo que a arma não funcionava:

“Ele diz que não ouviu o tiro, a kalashnikov não funcionava (…). Por isso, quando lhe disse que havia dois feridos graves e um ligeiro ficou surpreso”.
 
A advogada acrescentou que Kahzzani terá encontrado a arma em Bruxelas, e que teve a ideia do assalto, por precisar de dinheiro para comer.
 

“[Kahzzani] explicou que precisava de dinheiro. Contou-me que encontrou a arma por acidente numa mala (…) que estava escondida – suponho que a investigação vai determinar onde –, num parque público perto de uma estação de comboios em Bruxelas, um lugar onde costuma dormir com outros sem-abrigo. Uns dias depois teve a ideia de entrar no comboio, que outros sem-abrigo lhe tinham dito ser usado por pessoas com muito dinheiro (…). Pensou em [assaltar os passageiros] para poder comprar comida. Depois [tinha intenções] de disparar contra uma janela e saltar do comboio.”

 
Sophie David garantiu que o seu cliente não aparenta ser perigoso, e que pode confirmar que parece “fraco” e com sinais de subnutrição.
 
“Ele não aparenta ser perigoso, de todo, nada vingativo, nem protestou, pelo contrário. Pareceu-me confuso e surpreso com o que lhe estava a acontecer. (…) [É] alguém muito doente. Pareceu-me muito fraco fisicamente, como se estivesse subnutrido, muito magro, muito, muito magro e abatido. [Quando falámos] não tinha roupas, e questionei as autoridades sobre isso, disseram-me que foram levadas como prova. Então tinha vestidos uns boxers e uma roupa de hospital, [e estava] descalço. Foi assim que vi que ele está muito magro.”
 
 Ayoub El Kahzzani entrou numa carruagem de arma na mão e acabou dominado por quatro passageiros que o agarraram imediatamente. Os homens, três americanos e um britânico, dois deles militares, já receberam uma medalha pela sua bravura.
 
O primeiro a lançar-se sobre Kahzzani foi Spencer Stone, militar da Força Aérea norte-americana, destacado na Base das Lajes, nos Açores. Foi esfaqueado pelo suspeito no pescoço e numa mão, mas teve alta hospitalar.