Numa França ainda em choque com a morte do padre Jacques por dois jovens, de 19 anos, que juraram obediência ao Estado Islâmico, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse, numa entrevista esta sexta-feira, que não exclui a proibição do financiamento estrangeiro à construção de mesquitas.

“Estou aberto a essa ideia, ainda que por um período de tempo a determinar. Não deve haver financiamento vindo de fora à construção de mesquitas”.

Manuel Valls deixou mais duas notas. Frisou, por um lado, que o país precisa de criar uma “nova relação” com o Islão e, por outro, defendeu que os Imãs devem ser “formados em França e não noutro lado”.

Medidas para restaurar a segurança num país que está em estado de emergência desde novembro de 2015 - altura em que morreram 130 pessoas numa série de ataques na mesma noite em Paris e reivindicados pelo Estado Islâmico -, que ainda assim não evitaram mais ataques e mortes desde então. Em Nice, a 14 de julho, mais de 80 pessoas perderam a vida e dezenas ficaram feridas quando um camião atropelou deliberadamente famílias que assistiam ao fogo de artifício. Esta terça-feira, o ataque à igreja da Normandia por dois homens referenciados por terrorismo e um deles sob vigilância.

Manuel Valls recusou, contudo, embarcar no discurso do antigo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que teceu críticas à esquerda. 

"Não vou criar um Guantanamo à francesa", nem vai ceder ao "populismo", garantiu o governante. 

O primeiro-ministro francês admitiu a “falha” desta vez e revelou-se receoso de novos ataques em solo francês. Manuel Valls afirmou que a guerra contro o terrorismo vai ser longa, mas deixou uma mensagem de esperança aos franceses nesta entrevista:

“Mas vamos ganhar”, assegurou ao Le Monde.