O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, considerou esta terça-feira que o número de palestinianos mortos durante a ofensiva israelita na Faixa de Gaza, mais de 620, «é qualquer coisa de inaceitável».

Na que é a primeira crítica explícita francesa à estratégia israelita, Fabius disse, em declarações à televisão privada francesa TF1, que «é inaceitável que um país (Israel) seja ameaçado por mísseis, mas a sua resposta deve ser proporcional», acrescentando que «seiscentos mortos é evidentemente qualquer coisa que não se pode aceitar».

O Presidente francês, François Hollande, foi acusado por forças políticas de esquerda de realizar uma diplomacia pró-israelita desde o início dos ataques a Gaza.

«A exigência absoluta é o cessar-fogo. É preciso absolutamente que os massacres e os ataques parem imediatamente», continuou o ministro.

O conflito entre Israel e os combatentes islamitas de Gaza causou 620 mortos palestinianos e 29 mortos israelitas em 15 dias e continuava na terça-feira, apesar do apelo firme do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para que «pare o combate».

Israel tem dito que o seu objetivo é desarmar o Hamas, que controla o enclave palestiniano, acabar com os seus disparos de foguetes, destruir túneis e terminar com as «infiltrações» em Israel de combatentes islamitas.

O Hamas, por seu turno, reclama o levantamento do embargo israelita a Gaza, existentes desde 2006, a libertação de prisioneiros e a abertura da fronteira com o Egito.

Questionado sobre a proibição de manifestações de apoio aos palestinianos em França, algumas das quais degeneraram em violência e atos antissemitas, Fabius respondeu que «a regra é poder manifestar-se (...), mas as manifestações não podem degenerar em violência».

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês adiantou que «é normal que se esteja emocionado, indignado mesmo com o que se passa» em Gaza.

Uma manifestação de apoio aos palestinianos está marcada para quarta-feira, em Paris, depois de duas outras, proibidas pelo governo socialista no passado fim de semana, terem terminado em tumultos urbanos e atos antissemitas.

A manifestação de quarta-feira, organizada pelo Coletivo Nacional para uma Paz Justa e Durável entre Israelitas e Palestinianos, que reúne partidos de esquerda, sindicatos e associações, foi autorizada «porque é enquadrada por organizações responsáveis», disse Fabius.