Uma mulher de 35 anos chegou às urgências no hospital na cidade de Dijon, na França, com formigueiro nas pernas e quebras de tensão. O que à primeira vista seria apenas um formigueiro nas pernas veio a revelar-se algo mais grave quando a mulher contou aos médicos que tinha os outros sintomas. 

Segundo conta a CNN, a francesa revelou que chegou a cair várias vezes, depois de sentir “choques elétricos” nas duas pernas. Para além disso, no espaço de três meses, sentiu ainda dificuldades em andar de cavalo, tarefa que fazia regularmente. 

Ao fim de vários exames médicos, os profissionais de serviço, Marine Jacquier e Lionel Piroth, decidiram fazer uma ressonância magnética que acabou por se revelar fulcral para o diagnóstico.

A imagem do exame falava por si e mostrava uma "pequena flor" que era nada mais do que um nódulo nas vértebras dorsais.

Mas, os sintomas nas pernas continuavam por esclarecer e só graças a outro exame os médicos conseguiram descobrir que tudo se devia a uma ténia, chamada echinococcus granulosus.  

Para sermos sinceros, nunca imaginámos que poderia ser echinococcosis", disse Piroth.

O caso é tão incomum, principalmente nos países desenvolvidos e na zona do corpo onde este parasita se alojou, que os médicos enviaram o relatório para o Jornal de Medicina de New England, onde veio a ser publicado.  A paciente contou à CNN que ficou espantada pelo jornal ter publicado o parecer dos médicos sem lhe pedir informações sobre onde poderia ter sido exposta à parasita.

Os parasitas echinococcus podem causar mais do que uma doença nos humanos e podem ser transmitidos por zoonótica, ou seja, é transmitida pelos animais para os seres humanos. Neste tipo são os cães, que anteriormente foram infetados pelas ovelhas, os responsáveis pela transmissão da parasita para as pessoas.

No entanto, um dos médicos explicou que a mulher em causa afirmou não ter tido nenhum contacto com cães, nem viajado para nenhum país tropical, onde esta doença é mais frequente.

Não sabemos ao certo de como é que ela foi contaminada", disseram os especialistas.

A mulher foi então submetida a uma cirurgia para remover o quisto e posteriormente tratada com o medicamento antiparasitário. Foram precisos nove meses de tratamento para a mulher se ver livre desta doença.   

Segundo uma professora da Universidade de Medicina Albert Einstein, Christina Coyl, a maior parte das pessoas com echinococcosis não apresentam sintomas, pois quando a parasita se desenvolve no fígado, os quistos tem a tendência a crescer durante uns anos. Neste caso, o quisto deslocou-se para a coluna e causando os sintomas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, os programas de prevenção concentram-se no abate dos animais e na desparasitação dos cães e ovelhas, que são os hospedeiros definitivos da doença.