Os deputados franceses aprovaram, esta terça-feira à noite, uma controversa alteração à Constituição que prevê a inscrição na Lei fundamental francesa da figura da retirada da nacionalidade.

A emenda constitucional, cuja votação estava inicialmente prevista para quarta-feira, era pretendida pelo governo socialista francês como forma de punição de condenados por terrorismo na sequência dos atentados de Paris de 13 novembro de 2015.

A iniciativa legislativa gerou controvérsia no seio do próprio Governo, para além de ser criticada em bloco pela oposição, e levou à demissão da ministra da Justiça Christiane Taubira.

A medida também não agrada a outros membros do Governo. Já esta terça-feira à noite, enquanto a medida era aprovada no Parlamento por um curta maioria de 162 votos a favor, 148 contra e 22 abstenções, o ministro da Economia Emmanuel Macron manifestava-se contra a iniciativa legislativa num local completamente diferente da capital francesa, escreve o “Le Figaro”.

Convidado a participar numa conferência como orador na Fundação França-Israel, em Paris, o governante lamentou que se tenha atribuído “demasiada importância a essa questão”.

“Pessoalmente, sinto-me filosoficamente desconfortável com a dimensão que [o debate] tomou, porque acho que não se lida com o mal, expulsando-o da comunidade nacional. O mal está em toda parte. Privar de cidadania pode ser uma solução em alguns casos, e eu voltarei a esta questão, mas no fim de tudo, a responsabilidade dos governos é prevenir e punir atos implacavelmente maus e terroristas. Este é o nosso dever na comunidade nacional ", insistiu Emmanuel Macron perante as 800 a mil pessoas que o foram ouvir.