Jean-Michel Fauvergue, comandante da força de intervenção francesa RAID, que levou a cabo um assalto esta quarta-feira de manhã em Saint-Denis, no norte de Paris, revelou detalhes da operação. Em entrevista ao jornal francês “Le Figaro”, o comandante relatou as sete horas de operação policial, onde "centenas de tiros" foram trocados e em que homens da unidade de elite da polícia ficaram feridos.
 
“Cinco agentes ficaram feridos, foram atingidos nos braços, pernas, mãos e no fundo das costas, mas o prognóstico não é comprometedor”, afirmou o responsável, acrescentando que 110 homens estiveram no terreno.


Operação antiterrorista em Saint Denis, Paris (Foto: Reuters)  


Jean-Michel Fauvergue revelou que, quando chegaram ao bairro da periferia de Paris, sabiam que Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor dos atentados de sexta-feira, “talvez lá estivesse”.
 

“Fomos informados de que havia três pessoas no apartamento. Pensamos que era uma mulher e dois homens radicalizados”, indicou Jean-Michel Fauvergue.


O responsável acrescentou que também tinham a informação de que os ocupantes estavam armados com metralhadoras e explosivos.

“Outros serviços de informação adiantaram que Abdelhamid Abaaoud [alegado mentor dos ataques a Paris] poderia estar entre os ocupantes da casa”, referiu.

 

Os pormenores da operação


O ataque das forças policiais começou às 4:16 (5:16 em Lisboa) e durou durante todo o tempo do cerco, que terminou por volta do meio-dia.

Jean-Michel Fauvergue esclareceu que era suposto terem feito explodir uma porta de segurança, surpreendendo os ocupantes do apartamento, mas correu mal e os jihadistas tiveram tempo para responder.


Operação antiterrorista em Saint Denis, Paris  (Foto: Reuters)


Foi nessa altura, prosseguiu o responsável, que começaram as trocas de tiros que “duraram meia hora a três quartos de hora”.

“Do lado dos suspeitos disparava-se com kalashnikovs e atiravam-se granadas. Depois, os disparos foram mais esporádicos, intercalados com momentos mais intensos. Após um longo período sem tiros, decidimos enviar uma cadela para fazer reconhecimento do terreno. Infelizmente, a Diesel foi morta”, relatou Jean-Michel Fauvergue.


Os seis atiradores colocados em volta dos edifícios adjacentes conseguiram deter os terroristas que tentaram fugir, ferindo um deles no braço, numa troca de tiros.


Operação antiterrorista em Saint Denis, Paris (Foto: EPA/ Lusa)


A mulher que estava no interior do apartamento, Hasna Aitboulahcen, de 26 anos, que se suspeita ser prima de Abdelhamid Abaaoud, atirou sobre os polícias depois de uma troca de palavras e seguiu-se uma grande explosão.  

As janelas partiram-se e “um pedaço do seu corpo, uma parte da coluna vertebral”, caiu em cima de um dos carros da polícia, estacionado em baixo do apartamento, disse o comandante.

Quando questionado sobre se Hasna Aitboulahcen se atirou sobre os agentes na altura em que se fez explodir, Jean-Michel Fauvergue disse que não.

“Somos muito cautelosos. A mulher fez-se explodir sozinha no apartamento, esperava que a força da explosão nos afetasse. Mas não afetou”.


A operação terminou horas depois, com dois terroristas mortos, cinco polícias feridos, oito detenções e cinco mil balas disparadas.


Operação antiterrorista em Saint Denis, Paris (Foto: Reuters)


Questionado sobre se esta nova forma de terrorismo vai mudar as técnicas de intervenção policial, Jean-Michel Fauvergue respondeu que “já as modificou”.
 
“Temos utilizado a experiência dos nossos amigos estrangeiros, incluindo técnicas utilizadas em Israel, mas também noutros países. Estas são as técnicas para tentarmos ter o mínimo de danos possíveis perante um homem-bomba”, rematou.