Uma das imagens publicadas mostrava o corpo de James Foley, o jornalista norte-americano decapitado pelos jihadistas. O post provocou a indignação dos pais de Foley.

 

"Estamos profundamente chocados com o uso que é feito [da imagem] de Jim para benefício político de Le Pen e espero que a foto do nosso filho, e duas outras imagens explícitas, sejam removidas imediatamente", escreveram John e Diane Foley num comunicado.

"Nós decidimos usar a nossa tragédia para melhorar o mundo” e os atos de Le Pen são contra tudo o que Jim” e a Fundação com o seu nome “representam”.

 

Le Pen apagou o post esta quinta-feira, mas a discussão continuou na rede social, com a líder da Frente Nacional a ser atacada pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls. 

Marine le Pen pediu desculpas pela publicação da fotografia de James Foley:

Eu não sabia que era uma foto de James Foley. Está acessível para todos no Google. Soube pela sua família que me pediu que a retirasse. Claro que eu, imediatamente, a removi”, disse Le Pen , segundo a AFP.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, aproveitou a mesma rede social para criticar a líder do partido da direita:

“Fotografias monstruosas. Marine Le Pen: incendiária do debate público, uma falha política e moral, sem respeito pelas vítimas”

A resposta de Marine Le Pen não se fez esperar: “Manuel Valls, o senhor lançou uma campanha de violência e insultos contra a Frente Nacional.

Como se atreve a chamar-me incendiária?”

Da guerra surda das palavras escritas na Internet, para as palavras ditas. Coube ao ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, que condenou a divulgação das fotografias “que são uma abominação e um insulto às vítimas” e considerou este “um caso de polícia”, ao que Le Pen respondeu, também no Twitter e também com uma pergunta:

“Bernard Cazeneuve, vai processar-me por difamação contra o Daesh?”

Com efeito, uma investigação já foi aberta pela “divulgação de imagens violentas”.

 

A França foi a eleições regionais há poucos dias e um mês após os atentados de Paris reivindicados pelo Estado Islâmico. A Frente Nacional, embora não tenha ganho a dianteira nas regiões, conseguiu um resultado histórico. Uma vitória que mantém a conservadora Marine Le Pen confiante no seu bom resultado nas eleições presidenciais de 2017.