Um fotógrafo britânico decidiu mostrar o “lado invisível” dos principais monumentos que encontrou nas suas viagens pelo mundo. Tudo começou em 2012, quando se deparou com a gigante pirâmide de Gizé e decidiu virar-lhe as costas. Quando Oliver Curtis tomou o ângulo de visão do monumento, como se este tivesse olhos, o que viu foi tão fascinante que optou por experienciar esta sensação em outras viagens.

Contactado pela TVI, Oliver relatou  a sua primeira experiência junto à Grande Pirâmide de Gizé:

Depois de caminhar ao redor da base do túmulo, encontrei-me a olhar na direção de onde tinha vindo, com a pirâmide atrás de mim. Intercetando o horizonte debaixo de uma nuvem de fumo que se sobrepunha à cidade de Gizé. Imediatamente à minha frente e debaixo dos meus pés, a areia do deserto estava adornada com detritos deixados pelos humanos: lixo, pedaços de metal enferrujado, um grande anel de borracha e sacos rasgados. Depois, a média-distância, vi um campo de golfe recentemente construído, o seu verde intenso sob o sol do final da manhã. Encontrei uma palete de cores contrastantes, texturas e formas que intrigavam não só a fotografia, mas também a posição em que me encontrava. Estava perante uma das maravilhas do mundo, mas voltado para a posição 'errada'”.

O que se vê do “outro lado” do monumento, diz Curtis, pode parecer mundano, a antítese da famosa construção. Essa paisagem é quase sempre desprezada, alerta, embora simbolize parte da história e a sua subtil narrativa.

Oliver Curtis diz que embora não capte diretamente o monumento, as imagens têm uma aura dessa mesma construção. A câmara atua como transmissor dos “pontos invisíveis”, tornando esta dualidade uma virtude.

Na exposição intitulada “Volte-face”, que a partir de setembro estará na Royal Geographical Society, em Londres, Curtis conta através de imagens a sua odisseia de quatro anos pelos vários pontos do globo.