"Não há dúvidas que fez um mau trabalho". Donald Trump condenou já a falta de "coragem" do delegado policial que estava de serviço à porta da escola onde 17 pessoas foram mortas a tiro em Parkland, nos Estados Unidos. Ele era o homem que podia ter tentado evitar o massacre, mas ficou na rua durante cerca de quatro minutos e nunca chegou a entrar na escola. O tiroteio durou seis minutos.

Quando chegou a hora de entrar e fazer alguma coisa, ele não teve a coragem ou algo aconteceu, mas ele certamente fez um mau trabalho. Não há dúvida sobre isso".

Scot Peterson é o nome do polícia a quem Trump se referiu, e que apresentou a sua demissão depois de ter sido suspenso sem pagamento. "Mas este é um caso em que alguém estava fora, de alguém que foi treinado, e não reagiu adequadamente sob pressão ou por ser cobarde". "Foi um tiro no pé para o departamento de polícia", atirou, aqui citado pela CNN.

No jardim da Casa Branca, aos jornalistas, o presidente norte-americano voltou a insistir na ideia de que as escolas devem ter algum tipo de proteção, e que ela passa pelo armamento, mas não por "armas livres". 

Anteontem à noite, a solução que Trump apresentou para acabar com os tiroteios em escolas foi os professores e pessoal não docente andarem... armados. Continua a insistir na viabilidade desta medida, com o argumento de que "professores armados solucionariam o problema antes da polícia", "instantaneamente", e que isso seria um "grande dissuasor" para os assassinos.

Na sequência desse anúncio que fez, em plena reunião com sobreviventes do massacre, entre alunos e professores, até pais, a Casa Branca deu a indicação de que o governo federal poderia obter financiamento para dar formação até 1 milhão de professores para esse efeito e pagar um bónus a "10%, 20%, 40%" dos docentes que se revelassem altamente competentes na formação, como forma de incentivo. 

Um prémio que poderia passar por 1.000 dólares, ou seja, mil milhões repartidos pelo total de professores que receberiam treino. 

No briefing de imprensa da Casa Branca na tarde de ontem, quinta-feira, o vice-secretário de imprensa, Raj Shah, respondeu com uma pergunta aos jornalistas: "Queremos as escolas protegidas exatamente como os bancos. Acha que [1.000 dólares por cada professor) é demais para pagar a segurança de uma escola?". 

Questionado sobre se seria realista esperar que os professores carregassem as armas escondidas para proteger seus estudantes de eventuais atiradores, afirmou que "quando se está perante uma situação horrível, o que pensamos sobre ser prático ou não ser pode mudar". 

Certo é que a ideia não acolhe grandes adpetos entre os sindicatos de professores, que se mostraram mesmo chocados e céticos com tal proposta. 

Fica, porém, prometido que Trump levará a sua intenção aos membros do Congresso para que sejam elaboradas propostas legislativas e orçamentais para resolver o problema desta maneira. 

Muitos americanos estão a encetar outras soluções. Há dois movimentos sociais sem precedentes a ganhar bastante peso contra as armas: um que começou com os próprios estudantes, a que se têm juntado várias personalidades que gritam  "Nunca mais!", às armas; outro é o #Oneless, com americanos a destruírem armas em resposta a este último tiroteio, que não foi, de longe, caso único na América.