A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) advertiu, esta noite, que muitas vítimas do tufão que devastou as Filipinas ainda não receberam qualquer tipo de ajuda devido a problemas logísticos, seis dias depois da catástrofe.

«Há um grande número de pessoas que ainda não recebeu assistência, especialmente nas ilhas periféricas, onde nem o governo filipino nem as agências internacionais têm conseguido chegar», assinalou a organização não-governamental.

A MSF afirmou estar a utilizar todos os meios possíveis para chegar às zonas afetadas na região central das Filipinas, incluindo ao norte da ilha de Cebu, ao leste da ilha de Samar, à ilha de Panai, e ao oeste da província da Leyte.

Número oficial de mortos não para de subir

O alerta surge numa altura em que as autoridades filipinas anunciam novo número oficial de mortos. Elevaram esta quinta-feira para 2357 o número oficial de mortos provocados pelo tufão Haiyan, que devastou o centro do país há seis dias.

O Conselho para a Gestão e Redução de Desastres das Filipinas, órgão que prossegue com o lento processo de contagem das vítimas, informou ainda, no seu mais recente relatório, do registo de um total de 3 853 feridos e de 77 desaparecidos.

As autoridades filipinas antecipam uma aumento do número de mortos nas próximas horas, como consequência da chegada das equipas de resgate às zonas de difícil acesso, não descartando a possibilidade de o balanço final se aproximar do da ONU.

ONU alerta para urgência na ajuda

A chefe das Operações Humanitárias da ONU, Valerie Amos, alertou que a ajuda tem de chegar mais rapidamente aos sobreviventes. «A situação é triste. Aqueles que conseguiram sair fizeram-no e muitos mais encontram-se a tentar. As pessoas estão extremamente desesperadas por ajuda», afirmou Valerie Amos, em declarações aos jornalistas, na capital das Filipinas, Manila.

«Necessitamos de dar-lhes assistência imediatamente. Eles já dizem que demorou muito tempo a chegar», sublinhou, ao frisar que a «prioridade imediata» é assegurar que a ajuda chega rapidamente a quem precisa.

A Austrália elevou, também esta quinta-feira, o valor da ajuda destinada às vítimas do tufão Haiyan, que devastou o centro das Filipinas na sexta-feira, para 30 milhões de dólares australianos (20,8 milhões de euros).

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, revelou que ao montante prometido até ao momento por Camberra para ajudar as Filipinas somar-se-á uma verba adicional de 20 milhões de dólares australianos (13,9 milhões de euros).

A Austrália torna-se assim no maior doador para os afetados pelo tufão Haiyan.