Filipe Nyusi tomou posse, esta quinta-feira, como Presidente da República de Moçambique, sucedendo a Armando Guebuza, que presidiu aos destinos do país por dois mandatos.

A cerimónia, na praça da Independência, em Maputo, onde se ergue uma estátua do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, está a ser testemunhada por cinco chefes de Estado africanos, incluindo o sul-africano Jacob Zuma, que era dado como incerto, nota a Lusa.

O novo Presidente moçambicano garantiu que não será condescendente com a má conduta, corrupção, nepotismo e clientelismo no seio dos funcionários do Estado, prometendo ainda um executivo mais simples e funcional.

«Tomaremos sem condescendência medidas de responsabilização contra a má conduta, e atos de corrupção, favoritismo, nepotismo e clientelismo praticados por funcionários ou agentes do Estado. Não aceitaremos a violação deste contrato firmado com o nosso povo, ninguém está acima da lei e todos são iguais perante a lei», afirmou Nyusi, no seu primeiro discurso, após tomar posse como chefe de Estado moçambicano.

O novo Presidente moçambicano, que prometeu formar Governo «nos próximos dias», apontou ainda a eficácia, competência e humildade como valores que vão nortear a atuação do seu executivo.

Cavaco Silva é o único Chefe de Estado europeu, que viajou acompanhado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pelo secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira.

Filipe Nyusi sucede a Armando Guebuza, que presidiu aos destinos do país por dois mandatos, iniciando um novo ciclo político numa cerimónia de posse ensombrada pela instabilidade política e pelas tragédias que afetam o país.

A cerimónia decorre no dia seguinte ao fim do luto de três dias decretado pelo Governo moçambicano, na sequência da morte de mais de 70 pessoas por intoxicação pelo consumo de uma bebida alcoólica tradicional em Tete, e em plenas cheias, afetando sobretudo a província da Zambézia, com 15 vítimas mortais e dezenas de milhares de desalojados.

Ex-administrador dos Caminhos de Ferro de Moçambique e antigo ministro da Defesa, Filipe Nyusi, 55 anos, será o quarto chefe de Estado moçambicano e o primeiro sem participação direta na luta de libertação, numa transferência de poder geracional e não só.