Fidel Castro diz que Cuba não precisa que os Estados Unidos -  ou o Império, como lhe chamou - lhe ofereça nada. Num artigo de opinião publicado esta segunda-feira pelos órgãos de comunicação do Estado, o antigo líder cubano não poupou nas críticas a Barack Obama, poucos dias depois da visita histórica do presidente norte-americano.

Na semana passada, Obama tornou-se o primeiro presidente dos EUA a pisar solo cubano em quase 90 anos. Em Havana, o líder norte-americano afirmou que era tempo de os dois inimigos da Guerra Fria se aproximarem, como vizinhos que são, e estreitarem laços quebrados desde a revolução cubana.

Mas se Raúl Castro mostrou abertura para o início de um novo ciclo nas relações entre Cuba e os EUA, o irmão Fidel, líder histórico da revolução cubana e dos destinos do país até o seu estado de saúde o ter levado a retirar-se da vida política, não ficou convencido com as palavras de Obama. Antes pelo contrário.

Fidel acusou Obama de conversas doces para com o povo cubano, que ignoraram todos os feitos alcançados pelo regime comunista. Num artigo pautado pelo tom nacionalista, Fidel lembrou os esforços americanos para enfraquecer o governo de Havana. Cuba conseguiu produzir comida e outros bens materiais graças aos esforços da sua gente, sublinha. 

“Não precisamos que o Império nos dê nada”, remata.

Durante a sua visita de três dias a Cuba, Obama não se reuniu com Fidel, nem sequer o mencionou nas suas aparições públicas. 

Fidel, de 89 anos, liderou os destinos de Cuba desde a revolução de 1959 até 2008, tendo sido primeiro-ministro e depois presidente do Conselho do Estado. Quando adoeceu, em 2008, passou o testemunho ao irmão, Raúl Castro.

Apesar da sua retirada, Fidel é uma figura icónica de Cuba e ainda terá alguma autoridade em solo cubano, especialmente entre as gerações mais velhas.