O diretor do Instituto Garofani de Rozzano, na província italiana de Milão, decidiu cancelar as festividades de Natal em nome do respeito das várias culturas e credos dos alunos do estabelecimento de ensino. A decisão provocou a ira dos pais e uma reação do primeiro-ministro de Itália, que considerou que o responsável está a cometer um “erro enorme”.

“O Natal é muito mais importante do que um diretor a ser provocador”, afirmou Matteo Renzi, em declarações publicadas na edição de domingo do jornal “Corriere della Sera”.

 “Se ele pensa que está a promover a integração e a coexistência desta forma, parece-me que ele cometeu um erro enorme”, defendeu o chefe de Governo.

“Os italianos, tanto laicos como cristãos, nunca irão desistir do Natal”, rematou.


De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, o diretor do instituto, Marco Parma, de 63 anos, decidiu que este ano o habitual concerto de Natal das crianças do primeiro ciclo seria adiado para 21 de Janeiro e passaria a ser um concerto de Inverno, sem temas com conteúdos religiosos. O responsável rejeitou a proposta de duas mães de alunos que se ofereceram para ensinar canções de Natal aos mais pequenos durante os intervalos.

Para Marco Parma, essa seria a forma mais apropriada de não ofender a sensibilidade de outros alunos que sigam crenças religiosas diferentes do catolicismo.

“Num ambiente multiétnico, provoca problemas. No ano passado tivemos o concerto de Natal e alguns pais insistiram que houvesse canções de Natal. As crianças muçulmanas não cantaram, ficaram ali paradas, absolutamente rígidas. Não é simpático ver uma criança sem cantar e a ser chamada pelos pais para sair do palco”, observou, citado pelo “The Guardian”.

 
A decisão de Marco Parma foi recebida com críticas e manifestações pela população de Rozzano, bem como no resto de Itália. O diretor da escola acabou por apresentar a demissão, sublinhando que a decisão que tomou contou com o apoio de professores, que discutiram a questão e consideraram que esta seria a melhor forma de lidar com as diferenças religiosas.

O líder da Liga do Norte, o partido nacionalista da Lombardia, exigiu a demissão de Marco Parma, alegando que “cancelar as tradições é um favor ao terrorismo”. Para marcar posição, Matteo Salvini levou presépios ao colégio.

"O presépio faz parte das nossas tradições e da nossa cultura e religião: não é justo que os nossos filhos sejam obrigados a renunciar-lhe", defendeu.