O Rei de Espanha falou esta noite ao país sobre a situação "muito séria" na Catalunha, considerando o referendo "ilegal e antidemocrático".

Numa comunicação televisiva anunciada para as 21 horas locais, 20 horas em Lisboa, Felipe VI acusou o governo catalão de "comportamento irresponsável", que pode colocar em risco a estabilidade da economia espanhola.

O rei disse, ainda, que os líderes catalães não só desrespeitaram as leis do Estado como revelaram uma "inadmissível falta de lealdade", tendo-se colocado "à margem do direito e da democracia", além de "tentarem afrontar a unidade nacional".

Considerando que a Espanha vive "momentos muito graves", subscreveu as medidas utilizadas pelo governo espanhol, com a justificação de que "tiveram de assegurar a ordem constitucional".

A todos quero reiterar que vivemos num estado democrático que oferece as vias constitucionais para que qualquer pessoa possa defender as suas ideias dentro do respeito pela lei", frisou Felipe VI, acrescentando uma mensagem para os espanhóis de "de tranquilidade, confiança e também de esperança".

Reitero o firme compromisso da coroa com a Constituição e a democracia", concluiu o rei de Espanha.

Felipe VI dirigiu-se à nação depois de se ter reunido com o primeiro-ministro Mariano Rajoy sobre a tensão que se vive no país, na sequência do referendo independentista de domingo, em que perto de mil pessoas ficaram feridas após confrontos com a polícia.

A Catalunha parou nesta terça-feira devido a uma greve geral convocada por cerca de 40 organizações sindicais, políticas e sociais e que está a ter uma "adesão muito elevada".

Milhares de catalães saíram à rua contra "as forças de ocupação".

Só em Barcelona, perto de 300 mil pessoas, segundo a polícia municipal, manifestaram-se hoje contra a violência policial que ocorreu no domingo.

Os principais sindicatos tinham apelado para que os protestos paralisassem a região, que tem mais de 7,5 milhões de habitantes e é uma das mais ricas de Espanha.