Uma mulher morreu no Uganda devido à febre hemorrágica de Marburgo, um vírus semelhante ao do Ébola, e teve contacto com pelo menos 50 pessoas que estavam em observação, anunciou hoje a ministra da Saúde local, Jane Ruth Aceng.

A mulher, de 50 anos, vivia na localidade de Chemuron, a Este do Uganda e muito perto da fronteira com o Quénia, pelo que as autoridades estabeleceram um protocolo especial para garantir que o vírus não se alastra ao país vizinho.

Por outro lado, 55 pessoas estão a ser monitorizadas, por suspeitas de terem estado em contacto com a falecida durante o funeral, apesar de 13 já terem ultrapassado o período de vigilância de 21 dias sem sintomas de terem contraído a doença.

Aceng disse que o Uganda tem capacidade conter o surto e revelou que o seu governo está em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com países vizinhos para controlar a situação.

A ministra pediu aos cidadãos da área afetada que se afastem de zonas florestais e se abstenham de cruzar a fronteira.

O último caso mortal desta doença no Uganda aconteceu em 2014, com apenas uma vítima.

A febre de Marburgo é tão mortal como o Ébola e acabou com a vida de mais de 3.500 pessoas em vários países da África ocidental.

Esta febre hemorrágica é causada pelo vírus de Marburgo, da família ‘filoviridae’, a mesma a que pertence o vírus do Ébola. Tal como este, provoca hemorragias repentinas e pode provocar a morte em poucos dias, com um período de incubação de dois a 21 dias, e uma taxa de mortalidade entre 24% e 88%.

Os morcegos da fruta são os hóspedes naturais deste vírus, que quando é transmitido aos humanos pode contagiar mediante contacto direto com fluidos como o sangue, saliva, vómitos ou urina.

A doença, para a qual não há vacina nem tratamento específico, foi detetada em 1967 na cidade alemã de Marburgo, de onde deriva o nome, por técnicos de laboratório que ficaram infetados quando investigaram macacos trazidos do Uganda.

O pior surto recente da febre de Marburgo ocorreu em 2005 em Angola, na província nortenha do Uíge, e afetou 411 pessoas, das quais morreram 346.