O principal negociador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, afirmou temer a “morte” do processo de paz, durante uma entrevista televisiva divulgada na segunda-feira.

Do limbo pode passar ao inferno, e nós temos de salvar este processo de paz. Há que ouvir toda a gente, mas num hiato de tempo não muito grande porque, caso contrário, este processo morre, disse Luciano Marín, o seu verdadeiro nome, numa entrevista realizada em Cuba pela cadeia televisiva Univision.

O negociador das FARC referia-se ao referendo de 2 de outubro, que chumbou o acordo de paz entre o Governo de Juan Manuel Santos e os revolucionários.

É o jogo da democracia. O `não` ganhou ao `sim` precariamente, mas é um triunfo de qualquer maneira. As FARC estão abertas a procurar soluções para este impasse. Vamos lutar com todas as nossas forças por uma solução política para o conflito. Prorrogar este estado de indefinição do acordo final vai-nos deixar mais mortos, mais vítimas. E nós queremos evitar isso a todo o custo", garantiu Iván Márquez.

O Governo e as FARC assinaram a 26 de setembro, em Cartagena, um acordo de paz, após quase quatro anos de conversações em Havana, Cuba, para terminar um conflito armado de 52 anos.

No entanto, os colombianos rejeitaram, em referendo, o acordo de paz com uma maioria de 50,21%.

O Presidente da Colômbia anunciou na semana passada que o cessar-fogo com as FARC foi alargado até 31 de dezembro, mas disse esperar chegar a "um novo acordo" de paz antes dessa data.