O número de palestinianos mortos em Gaza, na sequência de raides aéreos israelitas lançados esta sexta-feira, subiu para seis, informaram fontes médicas.

Segundo o porta-voz dos serviços de emergência da Faixa de Gaza, Ashraf al-Qudra, cinco palestinianos, incluindo pelo menos uma mulher, foram mortos na sequência de um ataque que teve como alvo a casa de um militante da Jihad Islâmica em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, que fez ainda 15 feridos.

Cerca de uma hora antes, outro raide aéreo resultou na morte do palestiniano Anas Abu al-Kass, de 33 anos, residente no bairro de Tel el-Hawa, na cidade de Gaza, o qual foi atingido por 15 mísseis, segundo relatos de testemunhas locais.

A ofensiva israelita na Faixa de Gaza, iniciada na terça-feira, já causou cerca de 90 mortos e mais de 300 feridos, e não dá sinais de abrandamento. Só nas últimas 24 horas a aviação israelita lançou 210 raides, incluindo 50 esta madrugada, contra o Hamas, segundo fonte militar.

Entre os alvos estiveram 81 bases de lançamento de "rockets", túneis e postos de controlo e comando do Hamas, bem como escritórios de instituições governamentais do movimento responsável pelos serviços de segurança na Faixa de Gaza, especificou o porta-voz, em declarações ao telefone à agência AFP.

Segundo um fotógrafo da agência noticiosa francesa, vários barcos estavam em chamas no porto de Gaza, incluindo o «Gaza Ark», um navio pesqueiro de grande porte da propriedade de uma organização internacional pró-palestiniana que tentaria romper o bloqueio marítimo israelita.

Portugal e ONU apelam ao fim da violência

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, manifestou preocupação com a escalada de violência na Faixa de Gaza e apelou à contenção das ações e à promoção do diálogo entre palestinianos e israelitas.

«Estou naturalmente preocupado. O Conselho de Segurança [das Nações Unidas] manifestou ontem igualmente a sua natural preocupação com o fenómeno», afirmou o governante português aos jornalistas, à margem da conferência internacional «A Segurança no Golfo da Guiné», que decorre ao longo do dia no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa.

Rui Machete apontou que «há problemas graves de desproporcionalidade na reação por parte dos israelitas», mas sublinhou que as ações do Hamas também devem ser condenadas por «violarem direitos fundamentais», acrescentando: «Uns e outros têm cometido essas violações».

O governo português apela à contenção e à procura de vias para «cessar rapidamente» o atual «conflito violento».

«Os Estados unidos ofereceram-se como mediador, é um esforço importante, mas o que é mais importante ainda é que os dois contendores procurem minimizar as ações e se encaminhem para o diálogo», destacou o ministro.

Também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou, na quinta-feira, um apelo para o fim da violência em Gaza, face ao receio de que os ataques recíprocos entre palestinianos e israelitas desencadeiem uma nova espiral.

«A região não pode permitir outra guerra», disse Ban Ki-moon, na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, convocada para tentar resolver a atual crise que já provocou dezenas de mortos, a maioria dos quais civis palestinianos.

O encontro começou pouco depois das 10:00 locais (15:00 em Lisboa), mas depois das intervenções públicas iniciais, os membros do Conselho de Segurança retiraram-se para consultas privadas.