Rabie Darduna sente-se enganado depois de ter vendido uma obra do artista de rua Banksy por cerca de 175 dólares. A pintura, d a deusa grega Niobe, foi deixada na porta da sua casa destruída na Faixa de Gaza. Agora, a pintura está numa galeria local e no local onde estava a porta apenas o vazio.



O mês passado Banksy surpreendeu os fãs ao divulgar um vídeo que mostrava uma passagem pela Faixa de Gaza. O artista britânico, conhecido pelas suas mensagens de teor político, acabou por deixar várias marcas em solo palestiniano, com pinturas em muros e casas locais.

Uma dessas obras foi a pintura da deusa grega Niobe, feita nas ruínas da casa de Rabie Darduna, mais propriamente na porta da moradia destruída. A residência foi uma das cerca de 18 mil casas arrasadas durante o conflito do ano passado entre o Hamas e Israel.

Apesar de atualmente as obras de Banksy serem vendidas por centenas de milhares de dólares, um artista local acabou por comprar a pintura por apenas 175 dólares.

Darduna explicou, em declarações à BBC, como tudo aconteceu. Contou que depois de a pintura ter recebido atenção mediática foi contactado por um grupo de homens que se fizeram passar por conhecidos do artista e que, em nome de Banksy, queriam comprar a obra para a poder preservar.

«Disseram que a queriam por num museu em Gaza onde toda a gente a pudesse ver.»

A porta foi entretanto vista na galeria do artista em causa.




Darduna, pai de seis filhos, afirma que foi pressionado a assinar um documento para a venda da porta e que só aceitou o negócio porque precisava do dinheiro.

«Um homem disse-me: 'Somos do grupo que fez a obra'. Fizeram-me assinar um papel. Pressionaram-me e aceitei porque precisava do dinheiro», afirmou.


Desde que perderam a casa onde viviam, 20 membros da família Darduna vivem num apartamento alugado onde partilham os dois únicos quartos existentes. Darduna sente-se enganado e quer que a porta seja devolvida.

«Eles enganaram-nos. É uma fraude. Pedimos que a porta seja devolvida.»

O comprador da obra, entretanto contactado pela BBC, afirma que a compra foi legal e recusou tecer mais comentários sobre o assunto.