Duas explosões, este domingo, na cidade de Homs, e outras duas na periferia sul de Damasco, na Síria, provocaram mais de 100 mortos, incluindo dezenas de civis, segundo revelou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

O número de mortos no duplo atentado num bairro do centro da cidade síria de Homs subiu para 57, adiantou o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que refere também dezenas de feridos.

Em comunicado, a Organização Não-Governamental (ONG) diz que os atentados foram realizados com recurso a dois veículos carregados de explosivos, no bairro Al Zahraa, de maioria alauí, um credo minoritário xiita a que pertence o presidente sírio, Bachar al Asad.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entre os mortos estão pelo menos 39 civis, já que se desconhece, para já, se os restantes são civis ou pertencem a milícias pró-regime.

Entretanto, o grupo extremista do Estado Islâmico reivindicou o duplo atentado suicida perto de um santuário no sul de Damasco, que fez pelo menos 62 mortos, avança também o Observatório Sírio de Direitos Humanos. O número de feridos ascende aos 182, segundo a Reuters. O Daesh assumiu também a autoria das explosões em Homs.

Esta organização tinha já adiantado que houve quatro explosões perpetradas na zona de Sayida Zeinab, de maioria xiita, na periferia sul de Damasco.

Na altura, o Observatório Sírio de Direitos Humanos tinha dado conta de pelo menos 31 mortes, mas admitiu que o número podia aumentar, tendo em conta a gravidade dos feridos.

O Observatório sublinhou ainda que estes foram dos maiores ataques que atingiram regiões controlada pelo governo, nos últimos cinco anos de conflito.

A notícia destes dois atentados em Homs surge no dia em que o mesmo Observatório divulgou que pelo menos 50 combatentes do Estado Islâmico foram mortos nas últimas 24 horas em Alepo, num ataque levado a cabo por forças do governo sírio.

O Observatório, baseado na Grã-Bretanha, acrescentou que os combatentes foram mortos em confrontos e que as forças russas também estão a travar um ataque aéreo de suporte aos ataques das tropas do governo sírio.

Também este fim de semana, o Presidente Bashar al-Assad disse que quer ser lembrado daqui a dez anos como "o homem que salvou a Síria". As palavras foram proferidas numa entrevista ao jornal espanhol El Pais.

Assad, cujo destino tem sido uma das questões fulcrais nos esforços para acabar com a sangrenta guerra civil iniciada em 2011, deixou em aberto se iria continuar a ser o presidente em 2026.

"Daqui a dez anos, eu quero ter sido capaz de salvar a Síria, mas isso não significa que vou continuar a ser presidente."

Recentemente, um relatório da SCPR, uma organização não governamental, revelou que já morreram 470 mil pessoas nos últimos cinco anos na Síria. Destas, 400 mil foram vítimas da violência que eclodiu no país a partir de 2011, 70 mil morreram em consequência da falta de medicamentos, água potável ou comida, por exemplo.

A fasquia do número de feridos é colocada em 1,9 milhões, segundo a SCPR. Com a análise destes valores, o mundo ficou a saber que a esperança de vida na Síria, que se situava nos 70 anos em 2010, baixou para 55 anos em 2015.