É a palavra do pai, face ao mistério em torno do filho. Ahmad Rahami, o progenitor, afirma ter há dois anos alertado o FBi sobre as tendências violentas do seu descendente, com o mesmo nome, que, aos 28 anos, é tido como tendo uma relação direta com os atentados ocorridos nas cidades de Nova Iorque e Nova Jérsia, que fizeram 29 feridos.

O caso é trazido a público pela cadeia norte-americana de comunicação CNN. Dois oficiais do FBI confirmam que o pai Rahami foi ouvido pela polícia, após uma desavença familiar que levou o filho à prisão. O jovem Rahami terá então esfaqueado um familiar, sendo depois detido.

O pai Rahami afirma agora que avisara a polícia. Fontes do FBI ouvidas pela CNN garantem, contudo, que a meio do depoimento, acabou por voltar atrás com as suas preocupações sobre o filho.

Sabe-se agora que o filho, principal suspeito do envolvimento nos atentados nas duas cidades norte-americanas, fez viagens até ao Paquistão e Afeganistão. Mas nunca foi listado na base de dados do FBI de potenciais terroristas.

Um caderno contra o mistério

Para a polícia, um caderno apanhado a Rahami tem sido a primeira fonte de informação para tentar descobrir algo mais sobre o seu passado. Contém divagações sobre actos terroristas, uma menção aos bombistas da Maratona de Boston e referências a Anwar al-Awlaki, um porta-voz da organização al Qaeda na península arábica, morto há cinco anos.

O caderno tem também a marca de uma bala, que poderá ter resultado do tiroteio ocorrido aquando da captura de Rahami na segunda-feira.

Investigações levadas a cabo até ao momento revelam que Rahami é originário do Afeganistão. Chegou aos Estados Unidos em criança, no ano de 1995, com pai, que então procurava asilo.

Conseguiu a cidadania norte-americana em 2011 e desde então fez longas viagens ao Afeganistão e Paquistão, onde viria a casar-se. Quando voltou aos Estados Unidos, Rahami justificou as suas estadias naqueles países como tendo ido visitar familiares. As autoridades aceitaram as explicações.