O Reino Unido acredita que a queda do avião russo na península de Sinai, no sábado, foi causada por um engenho explosivo e, como medida de precaução, decidiu suspender todos os voos de Sharm al-Sheikh, no Egito, para a Grã-Bretanha até uma equipa de peritos analisar as condições de segurança. Nos Estados Unidos, uma fonte dos serviços secretos, citada pela CNN, diz que os peritos norte-americanos também suspeitam que foi colocada uma bomba no interior do aparelho.
 
Uma porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou, esta quarta-feira, que, apesar de a investigação para apurar as causas do acidente ainda estar em curso, os especialistas ingleses dispõem, até ao momento, de um conjunto de informações que permitem concluir que o aparelho terá caído devido a uma bomba.

“Enquanto a investigação ainda decorre não podemos dizer categoricamente o que causou a queda do avião russo. Mas com as novas informações receamos que o avião tenha sido abatido por um engenho explosivo.”

 
Na sequência desta suspeita, o governo de David Cameron decidiu suspender todos os voos do resort egípcio, onde, segundo o The Telegraph, estão cerca de 20.000 britânicos, para o Reino Unido. A "medida de precaução" foi introduzida esta quarta-feira e irá prolongar-se até uma equipa de peritos de aviação analisar as condições de segurança no aeroporto.

“Queremos sublinhar que esta é uma medida de precaução e que estamos a trabalhar de forma estreita com todas companhias aéreas.”

 
Mas não foi só o Reino Unido a suspender os voos de Sharm al-Sheikh. A Autoridade de Aviação da Irlanda ordenou que as companhias aéreas do país não voassem a partir do resort ou para o resort. 

Nos Estados Unidos, os serviços secretos também suspeitam que a queda do aparelho foi causada por uma bomba deixada pelo Estado Islâmico ou por uma fação dos rebeldes no interior do aparelho. A revelação foi divulgada por uma fonte dos serviços secretos norte-americanos à CNN.

“Há um sentimento definido de que um engenho explosivo foi colocado na bagagem ou algures no avião.”

Uma informação que surge um dia depois de James Clapper, o diretor da CIA. ter dito que não havia nenhuma prova de terrorismo. Clapper vincou que um atentado do Estado Islâmico era um cenário  "improvável", sublinhando que os rebeldes não possuem equipamento bélico capaz de abater um avião a partir do solo. Também o Egito e a Rússia rejeitaram a hipótese de um atentado dos jihadistas.

O Estado Islâmico, de resto, voltou a reivindicar a responsabilidade pelo incidente, esta quarta-feira.

Do Egito também surgem novas informações sobre a tragédia que provocou 224 mortos. O ministério egípcio responsável pelo setor da aviação anunciou que os dados das caixas negras já foram extraídos e validados e que, por isso, a análise à informação já está a decorrer.

Mais, uma fonte próxima dos investigadores que estão a analisar as caixas negras revelou à agência Reuters que tudo aponta para que a queda do avião tenha sido causada por uma explosão. Não é claro, no entanto, se esta foi provocada por uma bomba ou pelo combustível do aparelho.

“Acredita-se que se tratou de uma explosão, mas não se sabe de que tipo."

A mesma fonte indicou que os investigadores estão a analisar areia do avião russo à procura de sinais que apoiem a hipótese de ter sido usada uma bomba.

"A areia que resultou do acidente está a ser examinada para se determinar se foi ou não uma bomba.”


O avião da MetroJet, que tinha como destino São Petersburgo, caiu a sul da cidade egípcia de Al-Arish, capital da província do Norte Sinai, pouco depois de levantar voo de Sharm el-Sheik. Tinha 224 pessoas a bordo, na sua maioria russos, que regressavam a casa depois das férias.