Em apenas dois anos, 381 novas espécies foram descobertas na região da Amazónia. A mesma Amazónia que Michel Temer quer fazer perder o estatuto de reserva e "vender" para exploração mineira.

De acordo com um relatório da World Wide Fund for Nature (WFF) e do Instituto de Mamirauá, foram catalogadas, desde 2015, 216 novas espécies de plantas, 93 de peixes, 32 de anfíbios, 19 de répteis, uma ave, 18 mamíferos e dois mamíferos fósseis.

A Amazónia tem muitas lacunas de conhecimento. É uma área de difícil acesso em que muitas pessoas não conseguem chegar. Existem muitas espécies para serem descobertas", diz Fernanda Paim, pesquisadora do Instituto Mamirauá, que fez o estudo em parceria com a WWF.

Também Ricardo Mello, coordenador do programa da Amazónia da WFF Brasil, afirma que os investigadores ainda encontrarem estas centenas de espécies é a prova de que há muito trabalho a fazer nesta região. No entanto, deixa o alerta: a atividade humana na região está a colocar em risco a flora e a fauna da Amazónia.

Todas as espécies descobertas estão em áreas que os humanos estão a destruir na Amazónia. Isto é muito importante para nós, porque faz ligação ao facto de que as nossas atividades económicas vão fazer com que as espécies se extingam antes de as conseguirmos conhecer", acrescentou.

Esta descoberta surge na altura em que o presidente do Brasil está debaixo de fogo, precisamente, por causa da Amazónia. No passado dia 23 de agosto, Michel Temer editou o decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Associadas, localizada entre os Estados do Pará e do Amapá, que tinha sido instituída em 1984.A área, de 47 mil quilómetros quadrados, é rica em cobre e outros minerais, e irá ser explorada pela iniciativa privada. 

Depois de Temer ser acusado do "maior ataque à Amazónia dos últimos 50 anos", a Justiça do Distrito Federal suspendeu o decreto para extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados. 

O governo já anunciou que vai recorrer da decisão do tribunal.